segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O resgate dos sutiãs


Glenda Ribeiro

Na luta por direitos iguais a mulher foi perdendo a delicadeza, a sutileza, a beleza de ser como se é. Um padrão todo distorcido, confuso e exigente demais foi criado por nós mesmas. A pele tem que ser perfeita, sem manchas, sem marcas de riso, lisa, esticada, viçosa, acetinada, resumindo, cara de rica. 
O corpo tem que ser magro e sem muitas curvas, melhor se for alto e longilíneo, ou pode ser tudo ÃO, bundão, peitão, pernão e se não apresentar as terríveis e temidas estrias e celulites, ai sim, respiramos QUASE aliviadas, pois sempre vamos ter um corpo QUASE perfeito. 
Esse mesmo padrão de beleza transformou o nosso corpo em um objeto, nos penduram em bancas de revista completamente nuas, ou na “melhor” hipótese nos erguem ao mais alto ponto de um outdoor seminuas, nos oferecendo a preço de nada.
Num tempo não mundo longínquo éramos musas inspiradoras de belas poesias, hoje em dia somos chamadas de cachorras e poposudas na maioria das canções, e ao invés de nos indignarmos, abanamos o rabinho e dizemos au au au...
A queima dos sutiãs em praça publica nos libertou da opressão machista e nos garantiu mais dignidade e respeito, mas infelizmente só valorizamos a liberdade; a dignidade e o respeito estão ficando em segundo plano, ou em plano nenhum.
Está na hora de resgatar os sutiãs, e jogar na fogueira esse senso de valor deformado, esses padrões de beleza deturpados e trazer de volta a delicadeza, a sutileza e a beleza de ser mulher.

4 comentários:

Tais Luso disse...

Outro belo e verdadeiro texto.
Escreva mais, amiga!
Beijão.

Bella Dourado disse...

Glenda, saudades de você!!
Estou retomando o blog e vim te visitar, pelo visto também tirou férias, rs,rs.
bjs saudades e feliz 2014.

Cláudia Cavalcanti disse...

Só pode ter verdadeiro valor aquela que se valoriza. Há valor em um traseiro exposto em uma capa de revista? Para alguns, sim, mas para uma mulher de verdade, valor é outra coisa. O real valor da mulher reside em sua capacidade de amar, educar novos seres, em sua força gigantesca que supera obstáculos que, para a maioria dos homens, parecem intransponíveis. Nossa delicadeza é aparente e nada mais, somos fortalezas. Trocar essa dádiva por uma espécie de gancho de açougue, aparecermos nuas, expostas em bancas de jornal, sermos cachorras ( au, au)? Nada a ver. Mil vezes sermos gatinhas, ou gatonas, com nossas garras afiadas e preparadas para defender a nossa cria, o nosso ninho e a nossa honra. Amei seu texto, mais uma vez: parabéns!
Beijos.

Anônimo disse...

Falou tudo é isso aí!!