sexta-feira, 18 de março de 2011

É tudo igual...

Glenda Barros

A gente só sabe como é ser mãe quando se torna uma. Ainda não conheço o sentimento maternal mas, igualmente à todos, acho que mães são todas iguais. Baseio minha afirmação em anos de observação e estudos voltados ao comportamento desse espécime tão encantador.

Após longos anos de árdua pesquisa, descobri algumas características que compõem, obrigatoriamente, o organismo dessas criaturas tão complexas.

Por mais que suas crias cresçam e apareçam, elas sempre vão visualiza-las como a filhotinha da mamãe, ou o bebezinho da mamis e/ou coisas relacionadas à infantilidade, o que reforça minha tese de que esses seres têm sua visão parcialmente comprometida por uma estranha força cósmica, advinda do extinto maternal.

Com o comprometimento da visão, o olfato passa ser o sentido norteador. Altamente desenvolvido, o faro delas é espantosamente apurado. Estudos comprovam que elas conseguem capturar o cheiro de “coisa errada”, “mentiras” e “notas vermelhas no boletim” a milhas de distância.

Além do ouvido externo que capta até os decibéis mais longínquos, elas possuem também um ouvido na alma, que tem o poder sobrenatural de apreender o pranto recolhido dentro do espírito, o que torna impossível qualquer camuflagem de problemas e aflições.

São inúmeras as qualidades em torno dos cinco sentidos, mas como não são apenas seres humanos possuem, entre o tato e a visão, um sexto sentido, que dá a elas uma grande vantagem sobre nós meramente filhos (falei bonito!). Os outros cinco sentidos são todos guiados pelo sexto, o que fundamenta minha conclusão de que, esse tal sexto sentido, é apenas um codinome que elas inventaram para o AMOR incondicional e extraordinário que só elas possuem.

A diferença entre elas está somente na cor dos cabelos, no estilo, na silhueta, o resto é tudo igual, é tudo...

MÃE!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Reticências...

Glenda Barros


Estou com aquela sensação que transforma a face, que aumenta o brilho nos olhos, que faz o coração bombear com mais velocidade e intensidade, acho que agora vai! Gosto disso, dessa certeza convicta que sinto, ou melhor, que ele me faz sentir.


Passei dias revirando dicionários em busca de definições, empenhada em encontrar um caminho para demonstrar em palavras esse turbilhão de sentimentos que se instalou em mim, mas, tudo em vão. Amar não é o melhor, e sim a reciprocidade, isso sim consegue emudecer minha alma.

Definitivamente, não sei definir a sensação de proferir palavras carregadas de sentimento e recebe-las de volta sobrecarregadas de carinho, é tão bom mirar os olhos e ser correspondida com aquele risinho camuflado dentro dos mesmos; é indescritível o conforto do abraço, o sabor dos lábios, a dança dos dedos entrelaçados e sempre unidos, numa sintonia mais que perfeita.

É extraordinário o que sinto, quando aquele olhar me persegue indomável e intensamente, me perco em seus elogios e declarações, esqueço-me até que sou mortal e digo que o quero, e o quero pra sempre...

Se existe alguma definição para tudo isso, Deus guardou para si, nossa capacidade meramente humana é insuficiente, totalmente inabilitada para se aproximar do significado verdadeiro de tão supremos sentimentos. Contento-me em apenas poder aprecia-los, saboreá-los, senti-los...

Continuo sem respostas, mas a frustração não tomou conta de mim, afinal, apenas sentir no peito consegue ser tão magnifico e indescritível que dispensa explicações, melhor que Deus mantenha esse Divino Segredo, que continue desse jeito; perfeito, lindo, e na ausência de palavras, melhor usar ...












sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O negócio do Zé!

Glenda Barros

Minha avó é uma exímia contadora de causos. Ela tem o dom de entreter a meninada e os adultos, contando histórias antigas cheias de situações engraçadas e inusitadas. Numa dessas noites, com a família toda reunida na sala, ela contou um fato que não teve quem não chorasse de tanto rir.
O cenário da história era uma igreja grande de renome nacional, muitos membros; daquelas bem rígidas, com seus costumes e tradições seguidos com fidelidade por todos, até pra falar tinham regras. Nessas igrejas, sempre tem um determinado momento no culto em que são demandadas algumas oportunidades, que podem ser usadas com “liberdade” pelos membros da igreja para cantar, ler alguma passagem da bíblia, contar algum testemunho, ou algo relacionado a isso. Se ninguém vai por livre e espontânea vontade, o pastor aponta o dedo, diz o nome e manda subir no púlpito nem que seja pra plantar bananeira (fui longe!).
Numa dessas oportunidades, uma senhorinha baixinha, cabelos brancos, tom de voz cansado e o andar debilitado, subiu na plataforma e, com o microfone na mão começou a contar seu testemunho de vitória.
— Paz do Senhor irmãos!
— Amém! (vozes de mais ou menos umas 150 pessoas em uníssono, a igreja tava quase lotada).
— Irmãos, Deus tem sido muito bom pra mim, eu orei e Ele me ouviu!
(aleluia! Glória a Deus! Gritos+Palmas+Gritos... )
— Eu não agüentava mais, minha vida não tinha mais prazer, eu me sentia triste e insatisfeita (até aqui tudo bem!) o negócio do Zé (hã?!) era pequeno demais! (misericórdiaaaaaa!)

Um silêncio quase mortal tomou conta da igreja; de repente os olhares ficaram atônitos e fitos na senhorinha. Escandalizadas e horrorizadas, as pessoas começaram a cochichar entre si. Era misericórdia dum lado, (Jesus!) do outro, risadinhas cheias de má intenção no meio e olhares repressores e julgadores pra cima da tia (coitada!).
— Eu orei irmãos, e o negócio do Zé começou a crescer de uns anos pra cá.
— Uhhhhh+risadinhas....Sinônimo de:  “Ai meu Deus, quê que essa véia tá dizendo?!”
— Agora irmãos, eu me sinto realizada e feliz, o negócio do Zé está enorme (HUMMM) e agora eu tenho prazer (VÁLA-ME DEUS!)....
O pastor avermelhado de tanta vergonha sacou das mãos dá velhinha o microfone, e se dedicou, desesperadamente, a explicar o significado da expressão “o negócio do Zé”. A explicação era simples e óbvia, o negócio era uma pequena mercearia que expandiu e começou a render lucros. O povo não se conteve e caiu na gargalhada, risadas de alívio e ao mesmo tempo amedrontadas por denunciar, meio que sem querer, que suas mentes não eram tão puras assim. A velhinha desceu do altar sem nem ao menos mudar de cor.
O culto seguiu “normalmente” e o pastor, dias depois, anunciou um novo decreto determinando que, todo membro, antes de divulgar suas bênçãos no treco ampliador de voz (microfone), teria que recitar tudo pra ele em secreto, no seu gabinete. “É que eu quero evitar a fadiga!” E a igreja diz: AMÉM!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A culpa é da Eva!


Glenda Barros

           
            To agonizando na cama, rolando de um lado pro outro sem achar uma posição confortável. É como se um gato enraivado estivesse rasgando as minhas entranhas, como se um urso feroz estivesse me abocanhando pelas costas (sem trocadilhos!), tá arrancando tudo, inclusive minha paciência de Jó.
            Odeio sentir dor, e também sou do tipo que odeia se automedicar, então passo o dia todo amofinando em um ódio quase mortal. Cólica menstrual é o “Ó do borogodó”. Não sei você, cara leitora, mas eu não consigo me acostumar com esse desconforto mensal.
            Essa dorzinha chata e irritante me abate, consegue tirar da minha cara o sorriso espontâneo, subtrair minhas palavras, e de brinde ainda me deixa com aquela cara de quem comeu e não gostou. E como se não bastasse, a dor ainda vem acompanhada de uma hemorragia intensa que dura no mínimo quatro dias. Que nojooooooooo!!!!!!!!!!
            A culpa disso tudo é da Eva, que não conseguiu resistir aos encantos de uma simples cobrinha (continuem sem os trocadilhos!). Juro que se encontro a dita cuja no céu, faço justiça com minhas próprias mãos em nome de toda a comunidade feminina, atiro a infeliz da suprema corte ao calabouço, e faço questão de mirar o tombo dela bem nos “quintos” que é pra não correr o risco de errar (hoje eu tô cruel!).
            Não liguem para os requintes de crueldade que utilizei no texto, tentem apenas me compreender; no momento estou perdendo litros de meu precioso sangue A+ para um absorvente sem abas, sou obrigada a submeter minha coluna cervical a contorcionismos inimagináveis, no intuito de sanar a dor, e ainda tenho que empurrar, goela abaixo, aquele comprimido enorme, que segue vagarosamente rasgando meu esôfago.
            Já filosofei demais pra um texto só, essa sensibilidade exagerada já tá quase me fazendo chorar. Antes que o nó aperte minha garganta, vou tratar de empurrar logo a drágea que mantem meus nervos (des)controlados, afinal a Eva não está ao alcance da minha vingança e meus instintos cruéis estão começando a me assustar....

Salve-se quem puder!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Quatro ANJOS em minha vida...

Glenda Barros


Glenda Barros

Amizade é coisa que a gente leva pra vida toda, dentro do peito, nos devaneios da memória. Não sou de muitos amigos não, mas os que tenho são bons, e verdadeiramente dedicados a esse sentimento.
Me considero uma pessoa privilegiada, pois tenho a minha volta, me cercando de bons momentos, pessoas que somam experiências e multiplicam minha felicidade. Se eu pudesse, eternizava cada instante passado na companhia delas, paralisava o tempo pra saborear devagar as muitas gargalhadas incontroláveis, quase sufocantes, que compartilhávamos em uníssono no calor das conversas, interrompendo o raro silêncio...
Hoje quero homenagear alguns desses seres angelicais, nomeados pelo próprio Deus para acompanhar algumas estações da minha vida. Cada uma tem seu jeitinho singular, mas todas me encantam de forma similar.
Um desses anjos traduz-se constantemente em sorrisos, nunca vi alguém com um humor assim tão constante (CARLEN), outra é mãezona, exprime seus sentimentos com muita aptidão e autenticidade(NARA). Uma delas mexe os olhinhos que nem bonequinha em vitrine de loja, um rostinho de menina escondendo-se na estrutura de uma mulher (ANA); por vezes fui advertida, aconselhada e por muitas outras fui protagonista de cenas de cuidado e dedicação desse outro anjo, sublime em seu falar, corajoso em seu agir (MARISA).
Quisera eu ser dona das palavras, mas sou mera manipuladora delas. Vou torcendo, retorcendo, moldando e ajeitando-as de maneira que elas demonstrem tudo o que sinto. Com esses quatro anjos convivi por nove meses, e fui feliz em cada segundo pulsado pelo relógio. Não vou guardá-las no coração, farei melhor; vou imprimi-las em minhas ações, dessa forma, vou aumentando minhas chances de me igualar a elas e, quem sabe um dia, eu vire um belo anjo assim também...
Um texto assim não merece um fim, vou continuar escrevendo-o, não num papel comum, mas nas páginas da vida, com direito a ilustrações vibrantes, redigido em uma formatação particular e exclusiva, tudo do meu gosto, descontroladamente do meu jeito. Só peço a Deus que não me prive da companhia desses anjos, que o vento de suas asas continue virando as paginas de meu livro, e que a pulsante trilha sonora de seus sorrisos embale as cenas dos meus próximos capítulos...
A amizade agora encontrou uma nova companhia, A SAUDADE ...
P.S. Texto dedicado a esses quatro anjos de minha vida....CARLEN, NARA, ANA e MARISA.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Tive PENA da TRISTEZA....


Glenda Barros

Tá pra nascer sentimento mais horrível que soberba. Quando me deparo com gente assim, nasce um sentimento ainda pior em mim, a tal da PENA. Não sei, é inevitável, me dá pena perceber o quanto da vida é perdido tentando elevar o próprio ego a alturas inalcançáveis, quase everestianas.         
Observava outro dia uma fulana com tanta altivez de espírito, que o umbigo dela foi parar na testa. A dita-cuja ostentava tanto luxo na cara e no corpo, mas me ligava à cobrar pra pedir carona, é mole?
A vida de gente assim é quase tão medíocre e miserável quanto à de um pobre morador de rua. Viver se equilibrando em cima da linha do orgulho e da altivez de espírito repele a companhia humana, pois o odor produzido por tal comportamento é quase tão insuportável quanto o cheiro de azedo produzido pela sujeira e falta de higiene do dito morador.
O aspecto e a fisionomia dos soberbos se escondem atrás da altura elevadíssima do ego. Não se percebe a beleza, não se contempla bondade, só é perceptível o olhar altivo emoldurado por sobrancelhas arqueadas, que se juntam na terrível formação de uma expressão fria e completamente vazia de sentimento pelo próximo.
Eles têm um jeito tão específico de se portar que são notados a léguas de distância. Dá pra ouvir a terra reclamando das pancadas escandalosas de suas passadas, fiquei cansada só de observar o esforço absurdo que os pulmões fazem pra permanecerem sempre cheios de ar, e quase morri de tristeza ouvindo o clamor aflito dos poros por apenas um toque...
            A soberba é mesmo triste de se ver! Pela primeira vez na vida tive PENA da TRISTEZA, ali escondida e trancafiada dentro de um corpo totalmente ornado de autoconfiança, sendo forçada a revelar-se em sorrisos falsos; violentamente coagida a transparecer aquilo que sua essência condena como antônimo. FELICIDADE forçada chega a ser mais infeliz que a própria TRISTEZA. O remédio milagroso pra todos esses sintomas se chama HUMILDADE, quando ela se instala deixa tudo mais leve, a tristeza vêm à passeio, o orgulho fica mansinho e felicidade se arreganha no peito.
*Ao persistirem os sintomas um médico/psicólogo deverá ser consultado.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PREGUIÇA DE GENTEEEEEE


Glenda Barros

                Ela é chique, fina, linda demais! Essas características definem, parcialmente, a pessoa que descreverei agora. Esses adjetivos qualitativos utilizei, para que você tente visualizar a figura da mesma ai, na sua imaginação, até porque, não posso detalhar tanto o físico da dita cuja, senão posso comprometê-la e de brinde, ainda posso ficar completamente vulnerável a um processo chato e besta.
                Sua personalidade faço questão de transcrever, pois cismo que além dela, vários outros por aí adotaram esse jeito tão peculiar de atuar na novela da vida. O que ela tem de linda, ela tem de chatices e frescuras, “não gosto do feijão em cima do arroz”, “odeio olhar nos olhos dos outros”, “odeio lugares cheios de gente” e “ não encosta em mim que eu tô de roupa branca”! A fulana é tão antissocial que vive em pé de guerra com seu próprio reflexo no espelho.
                Fina demais, tanto nas atitudes quanto na silhueta, se ela virar de lado some no ar, num passe de mágica. Quando os pés não estão ostentando um belo par de saltos altos, estão enclausurados em pantufas de pelúcia cor de rosa, mas o chão nunca teve a honra de sentir o fino toque de seus solados, até pra tomar banho a descontrolada tem chinelo...
                A postura sempre ereta mantem seu nariz constantemente arrebitado, seu olhar sempre altivo, seu ar de estupidez e sua cara de poucos amigos atualizada. Tenho que confessar, que me divirto horrores vendo aquela tábua com pernas comendo de garfo e faca; é hilário, vocês tinham que ver!
                Outro dia ouvi um absurdo sair, com muita certeza e convicção, daqueles lábios finos de bonequinha de porcelana, “não me sinto a vontade em festas de família”, que tipo de criatura não se sente bem em seio familiar?
                Foi conhecendo gente assim que tomei preguiça de gente, tanta frescura, cada bestice! A vida é tão simples e o tal do ser humano é tão racional, que acha que sendo contrário a tudo, tendo opiniões que superam a filosofia humana e se excluindo do convívio social, provarão ao mundo que têm um cérebro ativo e uma opinião própria e firme. Digo que a depressão não é mais o mal do século, essa terrível doença deu lugar a outra ainda pior a AUTO SUFICIENCIA.
                Ainda bem que além do cérebro eu tenho um coração, e emprego aos dois a mesma porcentagem de importância...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Não dói nada!!!

Glenda Barros


Outro dia fui ao hemocentro fazer meu cadastro para o banco de doadores de medula óssea. É um procedimento simples, rápido e indolor. Seu nome e suas características sanguíneas ficam armazenados num imenso banco de dados, e pode, algum dia, salvar a vida de alguém.
Mas não acordei numa bela manhã de sol, com a incrível ideia de doar vida! Através de meu namorado conheci um anjo, que atende pelo nome  Yasmin, um ser que exalava meiguice e doçura no jeito de ser. Nos olhos eu vi sonhos, vi uma vida inteira de experiências.

Além da delicadeza de um ser divinal, YASMIN transmite uma força de guerreira. No risinho, sempre estampado na cara, uma alegria descomunal que, raramente se percebe por aí. Sua fragilidade fica quase imperceptível diante de sua maneira vibrante de viver a vida.
Esse anjo que tanto admiro e falo, me fez perceber que o sentimento que mais se iguala ao amor é o da solidariedade, que é capaz de ser tão nobre e tão supremo quanto o próprio. Pra ser anjo não é preciso ter asas, nem tão pouco ser imortal, só precisa carregar no peito esses sentimentos, e distribui-los a todo aquele que necessitar e àqueles que não necessitam também.

A fórmula para se tornar um anjo eu já dei, a iniciativa agora é sua. Distribua amor, doe vida, seja um gerador de felicidade! Eu pratico solidariedade e amor, e posso garantir que não dói absolutamente nada!



FAÇA SEU CADASTRO NO HEMOCENTRO ...
Avenida Anhanguera, 5195 – Setor Central – Goiânia-GO. (62) 3201-4570!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Peito Cheio

O papel em branco, a cabeça vazia e o peito cheio de sentimento e boas sensações pra demonstrar. Não sei se deu pra perceber, mas estou amando. Cresci num lar onde o amor era ensinado, correspondido e devidamente respeitado.
Anos e anos de convivência, e aqueles dois (meu pai e minha mãe) ainda agem como se fossem um casalzinho adolescente em fase de conhecimento e reconhecimento; mãos sempre unidas, palavras bonitas trocadas, amor em forma de gestos e ações...
Admirava-os e ficava observando o cuidado, o zelo; pensava comigo, será que existe algo assim reservado pra mim? E enquanto eu cochichava nos ouvidos de Deus, Ele preparava pra mim um ser composto por características singulares, no mundo, quase extintas. Juro que achava, que meus pais eram uma espécie de guardiões do amor, pois nunca vi, nem ouvi falar de algo parecido ao que eles viviam e demonstravam.
Ainda bem que não era bem assim, o amor me disse oi e eu consegui ouvir. Não estou falando de utopia, estou vivendo uma realidade, não estou dizendo que é perfeito, estou aconselhando que tentem e se permitam amar. Enquanto você acreditar que o amor é algo raro e pra poucos felizardos, sua cara vai continuar amarrada, seu corpo vai permanecer carente e seu coração vai persistir no vazio.
Amar está intimamente ligado a fé, pois se deixamos de acreditar em sua existência ele deixa de ser real e passa a ser uma aspiração remota, um sonho impossível. Deus ao soprar em nossas narinas, não queria só nos encher de ar, queria nos infectar completamente de sua essência, queria transmitir-nos esse vírus contagioso, capaz de impregnar o olhar de felicidade.
To com o peito cheio de amor pra dar, sorte a minha arrumei pra quem doar, já estava casada de guarda-lo só pra mim, de ver tudo aqui dentro apodrecer, mofar; agora está tudo mais que bem, me ajeitei nos braços desse alguém e agora sim, já posso sentir o gosto, minhas mãos já tocam o rosto, desse tal amor que eu tanto falo...


Glenda Barros





quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

SIMPLICIDADE


Por Glenda Barros

Essa palavra tem martelado minha cabeça já tem algum tempo. Recorri ao santo “GOOGLE”, aos dicionários virtuais, ao AURÉLIO e, sinceramente, as definições que encontrei não conseguiram me convencer. 

Pra mim, essa palavra tem um sabor sobrenatural, que só quem realmente a vive pode compreender. Ela define aqueles que enxergam na excentricidade da vida as coisas mais valiosas, pessoas que têm no olhar uma espécie de lupa, capaz de capturar a beleza e a singularidade de tudo, em tudo.

Viver com simplicidade é transpor a barreira dos conceitos formulados, sobre o que é bom, o que realmente tem valor, e o que tem maior importância. O que tenho observado ultimamente, é uma imensa quantidade de seres pensantes agindo como se o cérebro fosse apenas um item opcional, que se inclui ou não, na hora das decisões, na hora da formação de idéias e ideais. 

Basear sua felicidade em bens materiais ou firmar-se na certeza do outro, é decretar a falência de sua mente, e deixá-la a mercê de ilusões frustrantes, completamente dependente e escrava das decisões alheias. Gosto da cor da vida, do cheiro gostoso que ela produz, gosto de sentir os pingos da chuva, gosto do sol forte, do brilho, da luz, gosto da família toda em volta da mesa, gosto de gente que teima em ser feliz.

É simples ser simples, não há grandes segredos, ingredientes mágicos, jogo de palavras ocultas, senão deixaria de ser simples. Tá tudo no jeito de olhar as coisas, na forma de encarar as diferenças, na maneira que você chuta o balde, tá escrito na areia da sua praia, é só parar pra observar. A definição até que é fácil, difícil é só viver a plenitude da palavra. Com minha, ainda pequena, mas promissora experiência de vida, acredito que a simplicidade se resume na postura nobre, jamais soberba, daqueles que decidem por apenas...

Viver!!!

Pronto.
Simples assim.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Musas enfeitiçadoras!


Por Glenda Barros

To toda arranhada! E antes que você ai do outro lado tire suas conclusões precipitadas, vou explicar o porquê dessas escoriações acidentais na minha pele. Quando eu tinha mais ou menos onze anos de idade comecei a estudar música, mais especificamente teclado, e de lá pra cá nunca mais parei, do teclado passei para o piano e inclui canto coral e popular.
Por conta disso nunca podia deixar minhas unhas crescerem, pois atrapalhavam o desempenho dos dedos na execução das notas no teclado. Tem mais ou menos uns seis meses que eu parei com o piano erudito, e só agora minhas queridas unhazinhas conseguiram crescer sem quebrar.
Depois de uma vida toda reprimindo as coitadinhas, descobri que eu não estou preparada fisicamente, muito menos psicologicamente para ter unhas grandes e felinas. Outro dia ao escovar os dentes enfiei, sem dó nem piedade alguma, a unha do dedinho mindinho no canto da boca, o sangue jorrou e eu fiquei apavorada, sem saber se lavava a boca ou se olhava a bendita unha pra ver se não tinha quebrado...
Eu cresci achando que só tinha dedos, nunca imaginei que unhas fossem tão ameaçadoras e perigosas. Pentear os cabelos ou coçar alguma parte do meu corpo( minha santa ignorância!), sem as infelizes, eu afundava meus dedos gordos e cabeçudos e coçava até ficar de boca aberta e com aquela cara de retardada, agora não, se eu empenho um pouco de força, abre-se uma vala do tamanho do gran kenion, enorme e profunda, bem no local, que pra remendar só mesmo à base de linha e agulha.
O pior é que as danadas estão lindas, todas trabalhadas no vermelho intenso da Risqué. Eu me arrumo na frente do espelho olhando pra elas, desço a escada segurando o corrimão, não mais por uma questão de segurança, mas para olhar aquelas devoradoras envernizadas da cor da paixão em movimento, como elas combinam comigo, como eu as amo (bobagem)! Agora faço questão de ajeitar meus cabelos, de comer com garfo e faca (fica tão bonito), de dançar valsa (fica mais fácil de olhar pra elas), de descansar minhas mãos em cima dos joelhos.
Tô toda estraçalhada, mas as minhas unhas continuam impecáveis, sedutoras e fatais. Agora o jeito é comprar uma escova de dentes elétrica,  contratar alguém pra me coçar e juntar os retalhos que ainda sobraram de mim; pois concentrei minhas forças nas digníssimas e desfazer-me delas causaria um enorme desfalque na minha poupança de auto-estima, e cá pra nós, antes algumas fatias de pele irem embora nas laminas/unhas que perder o glamour, charmoso e atraente, das musas enfeitiçadoras presas às pontas dos dedos...
Quem pode, PODE....
ADOOOROOO!!!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Odeio Silêncio



Não sei porque as pessoas veneram tanto o silêncio. Sinceramente, não vejo a menor graça em permanecer calada. Eu posso dizer que era feliz e não sabia (sabia sim), trabalhava num lugar onde as pessoas riam, brincavam e tagarelavam, tudo isso no tom que bem entendiam. Não tinha essa de medir o volume da voz, pesar as palavras pra liberar uma minúscula porcentagem de quilogramas por minuto.

O lugar agora é chique, requintado, elegantérrimo por sinal. Paredes revestidas em mármore branco, o chão também; lustres suntuosos, música ambiente em todas as salas. Quando visualizei o lugar pela primeira vez, fiquei estática, imóvel, com a boca meio aberta, igualzinho a um caipira num Shopping Center.

Tudo é digital, as lixeiras dos sanitários se abrem quando você aproxima sua mão a um sensor instalado na tampa, o fogão não tem fogo (?), pra entrar a gente utiliza a digital do polegar direito, a modernidade está em cada canto, em cada detalhe, e mesmo sendo já deste século, ainda não aprendi a manusear aquela bendita máquina de café!

Definitivamente, não sei ser chique! A lixeira me assusta, o fogão me deixa invocada e a máquina de café é uma incógnita. Minha cara não combina com o lugar, to custando pra me adaptar. Fico meio desconcertada com algumas coisas, evitando outras, mas nada é tão indigesto e insuportável do que o digníssimo silêncio, esse sim, consegue me incomodar....

Não dá nem pra falar com as paredes, pois as ondas sonoras que você emite retornam numa pancada imensa de decibéis, ou seja, elas gritam com você, e gritar por aqui, só estando louco ou querendo assinar um AVISO de adeus.

Mas já que não tenho outra escolha, vou ficando por aqui, falando baixinho, sussurrando de mansinho,  procurando evitar qualquer atitude que demonstre minha ignorância tecnológica, afinal, de chique eu só tenho o nome, mas ninguém precisa saber disso!

Só conto pra vocês!

Glenda Barros

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A alma do negócio


Como é bom estar apaixonado! Dá vontade de congelar alguns momentos e revive-los sempre que quisermos. Os dois parados, se olhando encantados. Um diz que tá apaixonado, o outro fica ali, quietinho e estático de tanta felicidade.
O sorriso no rosto é inevitável, incontrolável; a gente ri que nem percebe. No olhar o brilho aumenta, no peito o fogo esquenta e no corpo,  a ansiedade descontrola as reações.  Difícil dizer o que se sente quando está do lado de alguém que se gosta.
Posso dizer que estou vivendo dias de muito sentimento. Mas quase perdi a oportunidade de vivê-lo por questões de caráter imbecil e fútil.
 Quando percebi aquele homenzarrão me encarar com os olhos fixamente, juro que tentei me esconder, de tão desconsertada que fiquei. Entrei em guerra com meus  pensamentos, na mente fazia questionamentos como: será que ele tá olhando pra mim? Vou levantar o olhar e conferir. E quem disse que eu tinha coragem de encara-lo!
O pescoço travou, parecia que uma mão enorme o pressionava em direção ao chão. Pensei mais  uma vez, essa pode ser minha única chance, vou retribuir esse olhar. Bravamente tirei aqueles mil quilos de cima da cabeça e olhei. Apertei meus olhinhos pequenos devagar, abaixei um pouco o queixo, esbocei um sorrisinho lerdo, respirei fundo e pronto. Missão cumprida, imaginei (Ufa, nem foi tão difícil assim).
Agora era pagar pra ver no que é que dá. Uma semana se  passou e lá estava eu, sentada num banco de praça rindo escandalosamente alto, abraçando e sentindo aqueles braços enormes me protegerem e me libertarem de uma solidão amarga e triste, que a muito tempo insistia em me acompanhar.
E pensar que tudo isso não estaria acontecendo se aquele olhar não fosse, devidamente, retribuído. Não sei se estou certa, mas pra dar lugar ao amor o orgulho tem que procurar outro lugar pra habitar. Nós mulheres às vezes nos fechamos que nem ostras, e depois nos enterramos num sofá e descontamos em potes de sorvete a nossa condição de solteira. Culpamos os homens por sua falta de atitude, quando nós é que impedimos a aproximação.
Não sou uma expert em relacionamentos, mas uma coisa minhas experiências me ensinaram, que essa mão opressora que às vezes te segura e te impede de retribuir alguma manifestação de vontade precisa, e tem que ser banida de nossas vidas. Retribuir não significa que você é oferecida mulher! Mas é sim, uma questão de educação, além de ser a Alma do Negócio.
Corresponder é a senha para a aproximação, feito isso, o caminho fica livre para a conquista, o coração fica atento a qualquer movimento e pronto pra qualquer situação. É tempo de se apaixonar, deixe a vida te ensinar o que ela sabe...
Isso é bom demais!

'Glenda Barros

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

São as Coisas da Vida...


Já viu cara de decepção? Se você me visse hoje, certamente notaria essa cara ai em mim. Ta ai um sentimento que a gente tenta, mas não consegue não imprimi-lo bem no meio da cara. É um trem esquisito e instantâneo, a noticia vai sendo dada e as suas sobrancelhas automaticamente caem, seus olhos murcham que nem tomates secos e o nó na garganta aperta.

Observando atentamente meu estado físico atual, percebi que as danadas das minhas sobrancelhas têm vida própria, eu emitia um mandato cerebral para que elas reagissem de maneira natural, mas tudo em vão, elas permaneciam descaídas, deixando minha expressão facial morta e horrorosa.

Meus olhos são extremamente submissos ao movimento decrescente desses arcos desobedientes (sobrancelha), sem titubear eles iam se acomodando em cima das bochechas, dando aquele aspecto assombroso de peso e rabujice mórbida.

A garganta se fechou num punho enorme, e começou a socar meu querido estômago com muita potência, provocando cólicas desconfortáveis que impediam o curso normal das coisas, a comida não desce e a água vai saindo pelos olhos descontroladamente, com a força de uma barragem corrompida.

Queria eu ter em mãos uma pílula antibiótica que agisse imediatamente depois de ser ingerida, porque essa minha cara de decepção é milhões de vezes pior que a mistura do Chuck (boneco assassino) e o Freddy Krueger, tão feia e abatida que eu fico.

E o pior é que você tem que ficar explicando por vezes seguidas no mesmo dia, sem contar que ainda tem aqueles que te abordam se utilizando daquelas frases ridículas de puxação de assunto como: “porque ta com essa cara de bunda?” ou “que foi que você tá com essa carinha amarrada ai?”, porque o infeliz nunca tem coragem de perguntar diretamente, com isso ele contribui imensamente, para sua incrível aquisição de uma cara de raiva, estressada e vermelha.

O único remédio eficaz na cura da decepção é o choro, pois é o desabafo da alma em forma de gotículas cristalizadas no olhar (falei bonito!). Indico também que você chore diante do espelho, isso mesmo, porque quando você visualizar seus olhos inchados, seu nariz enorme e desproporcional e sua cara feia e desiludida nunca mais vai querer repetir a dose.

Faço do dito popular minha filosofia de vida, “decepção não mata, ensina a viver”, amanhã o sol se encarregará de secar as minhas lágrimas, e a vida vai me dizer com todo o seu otimismo poético, que essa é só mais uma de muitas, e que o futuro ainda me reserva muitas dessas pequenas DECEPÇÕES...

São as coisas da vida!

´Glenda Barros

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O segredo é se livrar da trouxa...

A vida às vezes nos surpreende com momentos e situações geradoras de uma felicidade descomunal. Como eu já disse em textos anteriores, pra mim o sentido da vida é pra frente, não fico procurando teses filosóficas, hipóteses psicodélicas para justificar o meu estado permanente de satisfação.
Descobri que ser grato em qualquer situação pode ser revigorador, impulsiona as pernas da vida a seguir adiante. Se me mantenho fechada e mergulhada num poço de mágoa e amargura, minha história dá passos largos para trás e a vida perde seu SENTIDO natural.

Enquanto minha boca proferia palavras mesquinhas de ingratidão e de desgosto, minha biografia ia sendo redigida à base de tinta em tons escuros num papel velho, mofado e cheio de imperfeições. Até que percebi que para ser feliz e realizada bastavam-me apenas duas coisas, perdoar e esquecer.
Quando eu realmente comecei a viver esses princípios, posso afirmar que toneladas saíram de minhas costas, o fardo ficou mais leve e a mobilidade passou a ser uma tarefa mais prazerosa e simplificada. Andar é bem mais fácil quando não temos uma trouxa de mágoas para carregar.

A gente tem uma facilidade de guardar coisas ruins, enquanto que coisas boas ficam lá, guardadas no fundo da memória, um fato que eu considero injusto e tolo de nossa parte, pois os livros de nossas boas memórias deveriam ficar expostos nas prateleiras mais visíveis e num lugar de mais prática acessibilidade, onde possam ser achados com extrema facilidade e apreciados com mais freqüência.

Eu decidi perdoar e fiz questão de esquecer muitas situações desagradáveis e tristes, ficar relembrando certas coisas só vão adoecendo os ossos e tornando a caminhada mais dolorosa e cansativa. Vivo sorrindo, e o melhor é que não preciso de um motivo ou de um incentivo, só preciso sentir o ar invadir minhas vias respiratórias e estufar o meu peito, confirmando que a vida ainda permanece firme em mim...

O meu conselho é que a gratidão seja algo real,  algo vivido com intensidade e verdade, que o perdão passe de apenas uma palavra para uma atitude consciente e permanente, e que o ato de esquecer fatos ruins seja encarado, não como uma maneira de se esquivar dos problemas, mas como uma estratégia mais inteligente e rápida de se lembrar que ainda existe vida e que ela precisa ser vivida...

Portanto,

Vá e não peques mais...

'Glenda Barros

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Do baú para o papel...



Hoje acordei inspirada e saudosista, mergulhada nas lembranças, e pra não perder a oportunidade cá estou eu pra tentar contar, resumidamente, um pouco da minha história.

Nascida e criada até os seis anos de idade no interior, a roça não saiu de dentro de mim. Mesmo vivendo a maior parte da vida em cidade grande, o interiorzão ta grudado no meu peito, no meu jeito, na minha cara. Gosto de roça, do cheiro de mato, esterco de vaca e barulho de água espancando a pedra. Quem me vê falando assim logo pensa que eu cresci numa fazenda, quem me dera, mas não; nada disso, mas era quase, só faltava a água, a vaca, o esterco (...). Mato tinha, e tinha muito.

Saudade da minha terrinha, onde o calor ardente cozinhava a testa exposta e vulnerável, onde não tinha vento, fazia 40°C na sombra e eu saia correndo nas ruas fritando os pés no asfalto quente; realmente o corpo se adapta mesmo as condições do meio, eu nem sentia calor, meus pés não rachavam e o suor eu nem sabia que existia.

Já em terras goianas comecei a viver os dilemas da vida, a adolescência não foi conturbada não, mas foi meio apagadinha, sem travessuras, sem aulas enforcadas, sem peripécias extraordinárias. Feia e introvertida, eu sempre era a ultima a ser escolhida na hora do vôlei, sentava na primeira carteira, puxava o saco da professora (nerd) e meu nome nunca era lembrado por ninguém.

Mas como é inevitável eu cresci e apareci (graças a Deus!), virei mulher, deixei pra trás meu rostinho de criança, minha infância, minha raiz. Meu corpo já não é mais franzinho, meu rosto já possui marcas esculpidas pelo tempo e experiências. Se eu pudesse voltar no tempo, mesmo assim não voltaria, gosto de ver a evolução da vida, e mudar os fatos talvez não seja a solução, talvez traga ainda mais confusão.

Ainda tenho muito da garota sonsa, só que agora eu finjo que sou, é charme (rs)! Com o olhar eu converso, brigo, disfarço meu jeito de mato. Vivo um dia de cada vez, pra ver se o tempo passa mais devagar e me dá mais prazo pra realizar o que eu quero, o que eu já quis e ainda não consegui. Hoje vejo as coisas com outras intenções, não me magoou facilmente e nem me enfureço atoa, prefiro me erguer sorrindo que permanecer no chão chorando.

Ainda tenho muito pra aprender, meu estoque de caras eu renovo todo dia, é quebrando uma e eu colocando a outra. Não sou uma heroína, não “causei” na avenida, não fui paquita, não sou bonita, sou só mais uma, caindo e levantando na estrada da vida...


'Glenda Barros

sábado, 6 de novembro de 2010

AUTO ESTIMA não tem senso de ridículo!


Existem pessoas que não tem o mínimo senso de ridículo. E o fato que me intriga é que, estranhamente elas conseguem sobreviver a essa selva de pedra cheia de regras e padrões. Outro dia eu vi na rua um personagem do sexo feminino, mais ou menos uns 45 anos (pelo menos era o que a cara dizia) e que andava escandalosamente em cima dum salto 15cm, se achando a Gisele Büdchen.

Enquanto vou descrevendo a fulana, você vai imaginando ai a figura da mesma. Comecemos pelas madeixas (cabelo). Fiquei invocada, louca pra saber que cor era aquele cabelo, a raiz era castanho escuro, com alguns fios brancos brigando e insistindo em permanecer, da metade do cabelo até mais ou menos nas pontas um amarelo lutando pra ser loiro (sem sucesso), e nas pontas um tom meio avermelhado de uma tinta jogada antes do loiro/amarelo, dando aquele aspecto de pêlo de vaca malhada.

Digamos que a fulana não tinha aquele físico perfeito, seu peso equivalia ao de um filhote saudável de elefante e a circunferência de sua cintura, era semelhante ao de uma máquina de lavar roupas hospitalar com capacidade para 100kg (pense!), fiquei imaginando aquele monte de carnes entrando naquela calça legging de couro preta, como ela conseguiu aquela proeza?! A onça que foi morta para vesti-la devia ser pequena, porque a blusa além de curta era apertada, demarcava com perfeição todos os seus pólos.

Eram poucos dedos pra tantos anéis, um de cada cor, usava tudo isso e se sentia a gostosa do pedaço. A dita cuja exibia toda sua silhueta num rebolado extravagante, transmitindo toda sua sensualidade calórica num batom pra lá de vermelho. Olhei para digníssima, encarei-a nos olhos e ela arreganhou aquele monte de dentes pra mim e disse, em alto e bom tom -E ai amaaaada!-; instantaneamente pensei, isso sabe falar?!
Paralisei apavorada, mas bastaram-me cinco minutos de conversa pra eu me derreter aos encantos daquele ser pra lá de estranho, era uma amante da vida, sem baixo astral, acreditava no amor, na felicidade, que o Elvis ainda está vivo e que papai Noel existe.

Brincadeiras a parte, tenho que confessar que admiro pessoas assim, elas têm uma auto-estima muito resolvida (penso eu), pois se acham lindas, andam como se tivesse uma multidão de câmeras fotográficas registrando cada momento, cada passo; se exibem constantemente como se fossem um padrão a ser seguido e tudo isso com direito a caras e bocas provocantes. Geralmente são figuras bem humoradas, brincalhonas, riem alto e sempre têm uma frase de efeito motivador que tem o poder sobrenatural de nos tirar da fossa. O que realmente importa para elas é ser feliz, e o espelho é só mais um objeto de ornamentação e não um alguém com direito de dar pitaco em sua felicidade...


'Glenda Barros

domingo, 31 de outubro de 2010

Preciso de uma nova cara!



Sei que a maioria de vocês me conhece só pela foto do perfil. Repare só neste rosto angelical, sorriso médio quase sensual, o olhar cativador, levemente baixo; a boca praticamente virgem, naturalmente posta. Todo o conjunto da obra proporciona uma expressão quase esnobe de uma vontade de olhar camuflada, mas sem demonstrar pretensão descarada.

E é com todo pesar que lhes digo: minha cara não é assim, pelo menos não o tempo todo. Aqueles que me conhecem pessoalmente, depois de alguma intimidade conquistada, me dizem temerosos que tinham medo de mim antes de me conhecer, e quando os questiono a respeito do motivo pelo qual tinham medo de minha pessoa a resposta é sempre a mesma: você tinha uma cara fechada, amarrada e séria demais...

Sou terrivelmente intrigada com isso, afinal, o que seria uma cara fechada? No meu ponto de vista míope, seria andar o tempo todo com um saco, uma mascara de ferro, ou qualquer coisa que cobrisse por completo meu rosto. Pessoas que agem assim estão num hospício a essa altura, e eu estou aqui, soltinha que nem vestido rodado em cabo de vassoura (será que eu sou maluca e ninguém me falou?).

E uma cara amarrada então? Mas que raios de expressão ridícula é essa! Será que minha cara é tão feia que parece que está virada num nó?(conclusão frustrante) E o que é que tem ser séria? Não sou de arreganhar meus dentes pra todo mundo não, não considero isso um crime e nem uma postura antissocial. Imagine comigo, uma pessoa que nunca te viu na vida, cumprimenta-lo com um sorriso escandalosamente posto na cara, falando contigo como se já fosse teu amigo a vida toda, é no mínimo estranho e no máximo ridículo.

Não sou chatinha, nem retraída, nem nada semelhante a isso; sou apenas recatada, e tenho expressões faciais pra todo tipo de situação, mas só as exponho quando a circunstancia exige, uso a coerência e o bom senso pra discernir o momento ideal, do contrário, passo a maior parte do tempo me escondendo embaixo da minha cara de nada, que é como um descanso de tela, evitando que rugas precoces surjam e que o cansaço facial abata ainda mais minha feição...

É, prefiro mesmo ficar na minha, no meu canto, quando sou apresentada a alguém esboço um sorriso leve, digo um olá e pronto. Partindo desse ponto e dessa maneira, o caminho fica aberto pra eu me aproximar cada vez mais da pessoa, e a amizade dela vai sendo conquistada aos poucos, a cada conversa. Passei horas diante do espelho olhando minha cara e, sinceramente, não me deu medo algum, ou as pessoas estão ficando medrosas demais ou eu já me acostumei à feiura exacerbada do meu reflexo. Foi por isso, só pra não correr o risco que cheguei à conclusão de que PRECISO DE UMA NOVA CARA!

Aceitando sugestões...

'Glenda Barros

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Divina(MENTE) no Divã...


Preciso começar dizendo que estou naquela fase; aquela de se achar, se sentir mesmo; portando-me como uma eximia caçadora de olhares e elogios, divinamente Diva. Também preciso dizer, que existem certas fases da vida da gente que necessitam ser acompanhadas por um profissional (psicólogo).
Tem gente que passa pela vida com tanta naturalidade e aptidão que nunca recorrem a esse tipo de ajuda; ou pode ser que o infeliz é tão ator, que não transmite qualquer reação que condene alguma turbulência sentimental ou espiritual.
Não posso dizer que sou totalmente sã, mas não sou 100% maluca. Aliás, bestice pensar que psicólogo é coisa de doido; pra mim todo mundo deveria passar por uma sessão de terapia pelo menos uma vez na vida. Não é por nada não, mas quando a gente deita naquele “trem” (divã) parece que ele nos abraça. (É tão gostoso!) E não estou exagerando não, é uma sensação semelhante (nunca igual) a proteção do colo de uma mãe, e é tão quentinho e acolhedor quanto um útero (tô inspirada!).
Olha, confesso que não imaginava o quanto é bom desabafar nossas paranóias e delírios com alguém que a gente não conhece; é como confessar pecados, só que confortavelmente deitado; você fecha os olhos, cruza os braços, os posiciona embaixo da cabeça e vai falando, e falando; o maxilar chega a dar câimbra, mas em compensação, você sai dali revigorado, leve, desintoxicado...
Além do abraço do divã e do desabafo com um desconhecido, você ainda desfruta de um lugar tão chique e requintado quanto uma suíte presidencial de um hotel cinco estrelas. Se você, como eu, já andou visitando algum psicólogo deve saber muito bem do que eu estou falando. Na sala de espera, muito silêncio, só se ouve o som do salto fino da secretária no granito reluzente, a serenidade tá encravada nas paredes de todo o consultório, cores leves que remetem paz, tranqüilidade, calma, sanidade; é quase um templo budista.
A única parte ruim da terapia é a hora de pagar. Mas esse pequeno ($) desconforto não tira do rosto a expressão de alívio, de bem-estar. Ah, e tem outra coisa, ninguém me tira da cabeça que todo psicólogo também é exorcista, é sim, um exorcista; porque, vamos combinar, tem dia que a gente deita naquele divã, e chega a sentir o cheiro do tecido nobre queimando, de tão endiabrada e oprimida que estão nossas almas, mas quando saímos da sessão/descarrego, até aquela buzinada sem educação pra você acelerar o possante te parece uma sinfonia de Beethoven...
Não sei se é a voz deles ou se o lugar é que é zen; só sei que saio de lá com a alma de banho tomado, cabelo lavado e dente escovado... Mergulho naquele divã de cabeça, para ressurgir das cinzas segura e glamourosa como uma fênix. Adoro terapia (não que eu precise!), pois mantêm meus instintos neuróticos controlados, minha pele iluminada, minhas pregas vocais lubrificadas; aproveito pra falar logo tudo que eu quero, afinal, tô pagaaaaano!
Depois de chorar largado e emboladinho que nem neném, a gente arranca do rosto a prova do crime (lágrimas) com um lencinho de papel perfumado (ai que chique!), belisca de leve as maças do rosto pra tirar aquela palidez horrorosa que o choro compulsivo provoca e vale até colírio pra aliviar a vermelhidão dos olhos; tudo isso pra não dizer que, mesmo sendo Diva, a gente amolece no abraço gostoso do Divã e carece de ser ouvida, de falar e de descer do trono, mesmo que seja as escondidas...

Cada doido com a sua doidura!

Beijo da Diva! (rs)

'Glenda Barros

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

E o vento levou....

Não se engane, não vou encher seus olhos com um desses romances melosos, cheios de paixão, amor e sexo. Não, não mesmo, até porque, levando em consideração meu estado civil atual, escrever sobre algo assim não tem absolutamente nada a ver, é incoerente. De assuntos assim eu tô é correndo! O título é só uma forma mais poética de dizer que o tempo está voando aceleradamente, arrastando tudo, como o vento forte quando passa.


Acordei com aquela sensação besta de que passei dos três anos para os vinte e dois direto (como se isso fosse possível)! Eu podia jurar que não vi o tempo passar (eu e minha mania de exagero)! Parece que foi ontem que eu comi aquela gororoba gosmenta (papinha) e ainda pedi pra repetir, nem me lembro como fiquei de pé, muito menos como aprendi a pronunciar esse monte de palavras que conheço.

A verdade é que o tempo urge mais depressa do que a gente imagina, e a Sapucaí nem é tão grande assim, a gente dorme com quinze e acorda com 30, assim, de repente. Outro dia conversando com um amigo, soltei uma dessas gírias de uso diário de minha pessoa – chumbrega –, e por ser de uma região conhecida por seu linguajar diferente e peculiar, já tava até acostumada com chacotas e piadinhas, mas, nunca havia sido tão ridicularizada assim. Como os dizeres mudaram assim tão de repente?! E eu nem vi, ora bolas!

Também nem vi quando o quichute deixou de ser o sonho de consumo de todos os pés, não vi quando os patins foram substituídos por uma prancha com rodinhas, ninguém me contou que agora não é “Hippie”, é “Emo”, e, - minha nossa! – eu perdi o final de Chiquititas!

Era a maior onda usar tererês coloridos no cabelo, vestido de veludo era o que se usava e quanto mais armada era a “juba” (cabelo) mais chique era. Era “broto” pra lá, “bicho” pra cá. Os “pães” (homens bonitos) desfilavam suas “becas” (roupa elegante) cheios de “panca” (comportamento), andavam só de “patota” (turma); e não tinha essa de ficar “borocoxô” (tristinho), o negócio era fugir do “bode” (confusão) e botar pra quebrar nas pistas...era xuxu beleza, pode crer!

Imagino daqui a alguns anos, tudo que eu uso hoje vai ser ridículo e cafona (cafona é essa palavra!), meus amigos inseparáveis de hoje, serão colegas de “oi” amanhã (salvo exceções), a vida vai passando e a gente vai se acomodando. Confesso que detesto esse papinho retrograda, de que tudo era melhor antigamente. Até tentei me convencer dessa afirmação, mas me imaginei linda, morena e avassaladora, defecando numa latrina, com os braços e pernas arreganhados, me sustentando bravamente para não cair em cima da minha própria merda.

 Definitivamente, adoro o fato de o tempo ter asas, assim ele voa e leva tudo para o mundo da praticidade, onde a água já sai geladinha da torneira, a comida já vem pronta e as luzes vão acendendo por onde a gente passa...Ai que luxo!

Abraçeijos virtuais!

'Glenda Barros