quarta-feira, 20 de outubro de 2010

E o vento levou....

Não se engane, não vou encher seus olhos com um desses romances melosos, cheios de paixão, amor e sexo. Não, não mesmo, até porque, levando em consideração meu estado civil atual, escrever sobre algo assim não tem absolutamente nada a ver, é incoerente. De assuntos assim eu tô é correndo! O título é só uma forma mais poética de dizer que o tempo está voando aceleradamente, arrastando tudo, como o vento forte quando passa.


Acordei com aquela sensação besta de que passei dos três anos para os vinte e dois direto (como se isso fosse possível)! Eu podia jurar que não vi o tempo passar (eu e minha mania de exagero)! Parece que foi ontem que eu comi aquela gororoba gosmenta (papinha) e ainda pedi pra repetir, nem me lembro como fiquei de pé, muito menos como aprendi a pronunciar esse monte de palavras que conheço.

A verdade é que o tempo urge mais depressa do que a gente imagina, e a Sapucaí nem é tão grande assim, a gente dorme com quinze e acorda com 30, assim, de repente. Outro dia conversando com um amigo, soltei uma dessas gírias de uso diário de minha pessoa – chumbrega –, e por ser de uma região conhecida por seu linguajar diferente e peculiar, já tava até acostumada com chacotas e piadinhas, mas, nunca havia sido tão ridicularizada assim. Como os dizeres mudaram assim tão de repente?! E eu nem vi, ora bolas!

Também nem vi quando o quichute deixou de ser o sonho de consumo de todos os pés, não vi quando os patins foram substituídos por uma prancha com rodinhas, ninguém me contou que agora não é “Hippie”, é “Emo”, e, - minha nossa! – eu perdi o final de Chiquititas!

Era a maior onda usar tererês coloridos no cabelo, vestido de veludo era o que se usava e quanto mais armada era a “juba” (cabelo) mais chique era. Era “broto” pra lá, “bicho” pra cá. Os “pães” (homens bonitos) desfilavam suas “becas” (roupa elegante) cheios de “panca” (comportamento), andavam só de “patota” (turma); e não tinha essa de ficar “borocoxô” (tristinho), o negócio era fugir do “bode” (confusão) e botar pra quebrar nas pistas...era xuxu beleza, pode crer!

Imagino daqui a alguns anos, tudo que eu uso hoje vai ser ridículo e cafona (cafona é essa palavra!), meus amigos inseparáveis de hoje, serão colegas de “oi” amanhã (salvo exceções), a vida vai passando e a gente vai se acomodando. Confesso que detesto esse papinho retrograda, de que tudo era melhor antigamente. Até tentei me convencer dessa afirmação, mas me imaginei linda, morena e avassaladora, defecando numa latrina, com os braços e pernas arreganhados, me sustentando bravamente para não cair em cima da minha própria merda.

 Definitivamente, adoro o fato de o tempo ter asas, assim ele voa e leva tudo para o mundo da praticidade, onde a água já sai geladinha da torneira, a comida já vem pronta e as luzes vão acendendo por onde a gente passa...Ai que luxo!

Abraçeijos virtuais!

'Glenda Barros

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vou te Contar...

Faz tanto tempo que eu não sei o que é me apaixonar que até já me esqueci como é isso. É trágico e, honestamente, sinto muita falta. Sabe aquela tremedeira besta, frenética e descontrolada?! Pois é; só sinto isso quando os termômetros naturais marcam temperaturas abaixo de 10°C, o frio na barriga agora é azia e ansiedade, só tenho pra assistir o final da novela.

Nem me lembro mais que gosto tem um beijo (pura hipérbole!), andar de mãos dadas, só com minhas priminhas ainda em fase de primeiros passos, e jantar fora então, só quando faço meu humilde pratinho e me dirijo até a varanda, pra degustar lenta e solitariamente a comidinha deliciosa e muito bem preparada de minha doce mãezinha.

Meus amigos vivem dizendo “você tem que curtir sua solteirice”, eu juro meus amigos, eu tento, mas não consigo enxergar a graça em voltar para casa sozinha no fim da noite, ou em deitar-me para dormir e não ter ninguém na mente, também não vejo mesmo a menor graça em utilizar meu telefone celular apenas como um infalível despertador (isso é deprimente).

Tá ficando cada vez pior, tá crítico,não me encanto por ninguém, meu coração não bate forte, minhas mãos não tremem, minha boca não seca; será que estou me tornando uma espécie mutante com características frias e assentimentais? Deus me livre disso!

Matutando com meus botões percebi um erro imbecil que quase todo mundo comete. Quando nos sentimos decepcionados e fracassados após o término de um relacionamento, apontamos, com toda autoridade, o dedo indicador para o centro do peito e dizemos “agora eu sou mais eu, primeiro a mim e se sobrar...”, parece bobo, mas a gente leva ao pé da letra, ficamos mais egoístas e relacionar-se fica cada vez mais difícil.

Auto estima não tem nada a ver com egolatria. O segredo de um relacionamento saudável e duradouro, na minha humilde e ainda jovial opinião, é ter em mente mais do que a si mesmo, é ser consciente de que você precisa do outro e que fazê-lo feliz é a sua prioridade, o que acontece quase sempre é que isso é encarado com seriedade apenas por uma das partes e não por ambas, como deve ser.

Sinto informar que seu ego pode até deixá-lo nas alturas, mas no alto do trono colossal do ego só cabe ele mesmo e mais ninguém. Lá em cima é só solidão.  Nesse caso entro em concordância com nosso saudoso Tom Jobim quando diz que “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho!” Eu tento encontrar o equilíbrio entre não alimentar demais o ego, mas também, não deixar a carência baixar o padrão do candidato. Senão, ou acabo por ficar no "eu me amo" solitário para sempre, ou corro o risco de trocar o príncipe pelo guarda do castelo, só por medo de ele nunca aparecer. E agora chega desse papo sério!

 Até o próximo post!
BEIJO.ME.LIGA!

'Glenda Barros

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ora...mas não se irrite!



Não, não estou aqui para homenagear as aventuras e peripécias da inesquecível série CHAVES (meus filhos assistirão chaves!). Tô aqui pra dividir com vocês algumas coisas que me irritam tanto, que eu tento, mas não consigo aplicar meus dotes passivos. Sugiro, que se você estiver por perto, dê um jeito de zarpar ligeirinho, pois quando tenho esses ataques de nervo, sobra pra todo mundo, até pro Zé do picolé (me desculpem os Zés, mas foi o que rimou com picolé).

Olhe só, eu juro que tento, mas não entendo porque raios alguém me pergunta alguma coisa e pede sinceridade, sabendo que existe a possibilidade de ouvir o que ela não quer. Ai eu fico naquele dilema, se eu cumpro com submissão o pedido, a (o) infeliz que me solicitou tal bestice, fica com aquela cara de B$%&8@a azeda o dia todo, e eu ainda sou taxada de grossa e sem educação. Se resolvo ficar na minha, o Fil#4%&65 da @ãe fica insistindo e importunando, como se soubesse que estou omitindo algo só pra agradá-lo (a) , agora me diga, se já sabe o que eu acho, então porque pergunta? Ahhhhh...faça-me o favor...

Definitivamente me tiram do sério, aquelas pessoas que ocultam o ID do celular, e acham que a gente tem obrigação de saber quem está falando, como se eu tivesse uma bola de cristal portátil que me revelasse quem é o jeca tatu bestalhão que está me ligando. E aquela mania imbecil e irritante de perguntar - “o quê?” ou “hã?” – depois que a gente fala alguma coisa, e o pior não é nem isso, o pior é que o sujeito ouviu tudo, e fez você repetir só pra ter mais tempo pra elaborar a resposta. É duroooo....

E porque as pessoas não tomam sopa direito. Precisa chupar a colher daquele jeito?! Aquele “ssssssssssss” entra no meu ouvido e causa um desconforto horroroso, uma agonia que eleva os pêlos da minha nuca de ódio. E aqueles que ficam sugando catarro quando estão resfriados, é aquele funga-funga sem fim, sem contar que é nojento, anti-higiênico, seboso, e urrrrrghhhh....

Gente feliz demais, gente que reclama demais, gente que fala demais, gente que não fala nada, gente que mexe no cabelo demais, gente meiga demais, gente grossa, gente modesta demais, gente que fala ''demais'' demais, puts isso é chato demais! ah não, não sei como nunca infartei!

Tudo isso provoca meus instintos mais impacientes e exaltados, tenho vontade de enfiar a mão na orelha de um, socar o estomago de outro, enforcar outros, mas não, permaneço firme e com aquela cara de paisagem (outra coisa que também me irrita). Prefiro concordar com meu amigo Paulo quando diz, “tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”. Vou acabar logo por aqui, porque esses textos longos demais (preciso de um sinônimo pra essa mer#&@ de palavra) também têm o poder de me tirar das tamancas, e escrever este aqui já ta me dando nos nervos....ninguém merece!


'Glenda Barros

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Agora eu tô SELADA.


E não é que eu ganhei um selo! BLOG DE OURO...A NOVA SELADINHA DO BRASIL......

Eu tô chique bem! Ganhei este prêmio da maravilhosa Ana Lívia (adoro esse nome) que dedica seu espaço na web para relatar experiências e sentimentos, tudo com muito bom gosto e personalidade...confere aí no Nem tão incerta, nem nada.

E como nada vem assim de graça, tenho que indicar 10 blogs merecedores dessa mesma honraria, o que não é uma tarefa fácil, mas sem mais delongas, cá estão os tOp 10 em minha humilde opinião.

WILLIAM'S BLOG
SOU DO MEU AMADO
RABISCOS E RASCUNHOS
CRONICA DO DIA
HUMOR SULFURICO
O REINO EM NÓS
PORTO DAS CRÔNICAS
BUSCAI O REINO
OLHOS AO VENTO


SINTAM-SE SELADOS...



Tá ai. Tem pra todos os gostos, vai sem medo de ser feliz...
Gostaria muito de homenagear os blogs O pior Blog de Todos e Ideia Crônicas que são incrivelmente geniais mas que já foram contemplados pelo selo.

*Agora chega dessa babação, que eu tenho muito o que escrever.

PRONTO.

'Glenda Barros

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Programa de Índio...



“O lugar é lindo! Eu vi as fotos no site. Tem piscina, playground para crianças, um chalé no meio do lago, lugar pra pesca esportiva e até um restaurante com os mais variados tipos de pratos...hummm...uma delícia de lugar!”

Essas palavras alucinadoras despencaram da boca de minha prima, e caíram perfeitamente na nossa vontade louca de descansar e curtir o feriado. Cheios de fé, cruzamos o estradão desse meu Goiás sem porteira, deixando pra trás o estresse da cidade grande, a borracha dos pneus no asfalto escaldante e a monotonia do dia-a-dia.

Chegando ao dito lugar, um senhorzinho baixinho, pançudo e meio careca nos recebeu com um largo e simpático sorriso de três dentes e uma frase bem típica da região: “Baum? Quié que ocês manda?”
Empolgadíssima e ansiosa perguntei “quanto é pra entrar moço?” (ainda fui simpática, chamar aquilo de moço foi duro!) “Uai, apenas dér reaus!”, pensei com meus botões coloridos e saltitantes “que maravilha, é baum, e é baratim...baratim...!” (percebam que o lugar começou a me afetar)

Agora, caro leitor, sugiro que imagine uma cara de espanto. Imaginou? Agora incorpore essa cara que você imaginou à seguinte frase, “aquela taperinha no meio desse lago podre é o chalé?” Subentende-se que o lugar não era lá essas coisas. Piscina? Tinha sim, uma só, de mais ou menos três metros quadrados (enorme!), o lago fedia peixe podre e a comida do restaurante faltava sair andando sozinha, ou melhor, voando, nunca na minha vida vi moscas como aquelas, eram mutantes, enormes e verdes, os olhos pareciam a logo da rede globo de televisão, arregalados e ameaçadores em direção ao nosso prato. (credo!)

Longe da civilização e sem muitas opções, resolvemos ficar por ali mesmo e arranjar o que fazer. Colocamos nossos biquínis, maiôs, e os rapazes suas sungas; (alguns tímidos ficaram no discreto shorts) e seguimos para o Tietêzinho (apelido carinhoso, fazendo menção ao odor produzido pelo lago). O lago era fedido, mas era frio, e com aquele calor infernal, que dava pra esquentar marmita ao ar livre, não tínhamos outra alternativa senão nos render as águas sebosas e escuras daquele lago (Detalhe, a escuridão lago não indicava sua profundidade, era sujeira mesmo, a água mal cobria nossos joelhos).

Ficamos por ali o dia todo, jogando água na cabeça com uma canequinha improvisada, juro que podia se ouvir o tsiiiiiii da água fria tocando o corpo quente. Como resultado desse dia de cão, tivemos algumas unhas quebradas, insolação, dores abdominais, escoriações e alguns traumas. “Felizmente” não foi de todo ruim, terminamos o dia no trono, coroados pela experiência e reinando majestosamente sob o nível mais alto do fundo da fossa....

Isso é o que eu chamo de programa de índio, mas afinal de contas, quem nunca fez um programa de índio que atire a primeira flecha!



'Glenda Barros

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

nOo BalançOo dOo BusãOo...

Como fala essa criatura! Quanta saúde nessa língua! Essa era a frase que ecoava no meu pensamento, enquanto eu observava aquela boca cheia de dentes tagarelando intermitentemente. O sol à pino bem no meio do céu azul, aquilo tava mais pra uma lata de sardinha que um veiculo destinado ao transporte de gente. O busão tava lotado!

Aquele ser irritante falava, e falava, e continuava falando e emitindo grunhidos exagerados e escandalosos, que imitavam o som de um sorriso. Nas extremidades da boca, iam se acumulando uma espécie de pasta espessa e borbulhante, de cor branca, sim, era saliva...

Vez ou outra ela parava para respirar e aproveitava para sugar escandalosamente todo aquele cuspe para dentro da boca. Como uma pessoa pode ser tão feliz assim dentro de um ônibus lotado? Pela primeira vez na vida eu me irritei com a felicidade alheia.

A situação já tava ruim, pensei comigo, “não pode ficar pior”, e descobri que não é só em filme ou desenho animado que ao pronunciar essa frase o que era ruim fica ainda pior. Pois é, um fulaninho, que pra variar não tinha nada melhor pra fazer, resolveu degustar bem ali do meu lado um pacote daqueles salgadinhos cheios de corante e gordura trans.

Tem de todos os sabores, pizza, bacon, presunto, queijo, mas para minha alegria estomacal aquele era sabor CEBOLA. Como alguém normal consegue comer um negocio desses? O cheiro é uma mistura de pum e vômito, e o barulho que isso faz dentro da boca é insuportável e repetitivo....crot...crot...crot...


Minha casa nunca esteve tão longe, eu respirava fundo e mentalizava; "Não, isso não está acontecendo, eu não estou aqui, não estou passando por isso". Desejei com toda a minha alma ter o poder de me tele transportar, mas a imaginação não mudou a triste realidade, não adianta, ônibus é sinônimo de desconforto, de deselegância.

Pra minha sorte aquela luz forte e amarelada brilhou em forma de curvas sinuosas, transcrevendo palavras verdadeiramente revigoradoras para minha esperança (PARADA SOLICITADA), enfim meus pulmões receberiam gás oxigênio “puro” e meus ouvidos sentiriam o doce toque do silêncio.

Desci libertada, nasci de novo quando meus pezinhos tocaram o asfalto fulminante. Se fosse mais perto eu até arriscaria ir a pé, mas não, não sou assim tão atlética. Senti inveja dos que vão de trem, pelo menos é mais poético. Então, se não tem outro jeito, amanhã tem mais, no mesmo "bat" horário, no mesmo "bat" busão.


'Glenda Barros

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Meu inconsciente não tem gosto!!!


Acordei cantarolando intermitentemente o mais novo sucesso; "papa americano..." (mensagem subliminar tentando promover a aceitação de um futuro Papa americano?) ou "papo americano" (referindo-se as conversações típicas do povo das américas), ou seria; "papa o americano?" (coitado do americano!) ou "papamericano" (tudo junto?) a credo, sei lá, no som sai tudo igual mesmo.
Tentei me lembrar, afinal de contas, onde foi que ouvi essa música. E nada, também, está tocando em todo lugar.
Que coisa mais idiota, travei uma luta interna, comigo mesma, (perdoa o pleonasmo), tentando o dia todo tirar a música da minha cabeça. Não, nem posso chamar de música, para isso teria, no mínimo, que ter na letra uma frase completa, ou pelo menos, uma palavra que fizesse sentido, ora essa. Irada; será que existe uma pessoinha (traidora) com preferência musical duvidosa, alojada no meu inconsciente e tentando corromper minha sanidade? Não é possível.
A primeira tentativa foi de eleger um adversário, assim, se eu cantasse repetidamente uma coisa melhor, (qualquer coisa seria melhor), seria como gravar por cima de uma fita cassete. Tentei, e parecia que estava funcionando, mas ficar assim forçando um pensamento, cansa. E quando eu parei um pouquinho e o imaginário ficou vazio.... lá vem de novo; "papamericano". Urrrhh!!!! (Adeus teoria da fita cassete).
Tentei a intimidação; "EU NÃO QUERO CANTAR ESSA DROGA!" "ME OBEDECE INCONSCIENTE, EU MANDO EM VOCÊ!". Nada, também não resolveu.
A revolta passou para o compositor, quem foi que teve essa idéia genial? Unir uma baladinha eletrônica, á repetição sem explicação, da mesma palavra, cantada por algum fanho? Qual a mensagem afinal de contas? Qual a intenção? Desconfio que era essa mesma; ocupar a nossa mente com uma coisa inútil.
Não seria o primeiro a conseguir, todas as canções deste tipo; sem noção, sem sentido, sem conteúdo, sem futuro, entram na cabeça da gente e se instalam lá, sem autorização, se achando donas do pedaço. Melodias simples, sem muitas notas, letras repetitivas e agente cai. Lembra? Da Macarena, da Festa no Apê. ..."Pocotó, pocotó, pocotó, minha éguinha pocotó..." "créu, créu, créu, créu..." "rebolation, rebolation."
Ah não gente, parei, vocês já entenderam né? Tenho medo de ficar escrevendo e elas se unirem numa espécie de complô e se tornarem mais fortes e invencíveis.
Fiquei pensando naqueles que compram os cds, e cantam e dançam, procuram o estrago com as próprias mãos. Lembrei das musiquinhas infantis, pelo menos estas, formatam o cérebro das crianças com alguma coisa construtiva (algumas). Das propagandas que se eternizaram por causa da trilha sonora e nos fizeram consumir; Danoninho, Batom até Biotônico, e toda espécie de produtos. E ainda estão ai os jingles da política, que usam muitas das músicas inúteis, para facilitar a memorização e quando menos esperamos estamos repetindo o número, o nome e o slogan de algum candidato desconhecido (até agora).
O inconsciente é um mecanismo perigoso, absorve o que é oferecido, seleciona com critérios estranhos, e é controlador.
Ah, não teve jeito, eu desisti, porque quanto mais pensava na idéia de vencer o inimigo, mais forte ele ficava. Funcionou, quando me dei conta, tinha sumido, melhor não comemorar muito, nem pensar muito na vitória, senão o derrotado ressurge.
Mas fiquei incomodada, como pode uma coisa dessas?
Meu inconsciente não tem gosto!


'Kelly Rodrigues

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

iiiiii .... DEU BRANCO....

Hoje passei o dia tentando escrever alguma coisa, mas parece que a coisa não quer fluir...Revirei minha gaveta de memórias, meu baú de recordações, meu diário de saudades, mas hoje a coisa não quer coisar mesmo...

Inspiração é um negócio estranho demais, quando você menos espera a coisa vem num “plim” prontinho na sua cabeça, daí é só preparar o lápis e o papel e as idéias vão se organizando nas linhas, sozinhas, como se tivessem vida própria (um desaforo inspiração ter vontade própria), como se precisassem apenas de um instrumento (nós) para se codificarem em forma de palavras e expressões.

Não adianta forçar, espremer, apertar, porque daí a coisa não sai do lugar, ela vem sorrateiramente na hora que bem quer, às vezes fica horas conosco, outras vezes vem como se buscasse fogo, rápida e sagaz, e é tão veloz que se esvai num piscar de olhos, sem ao menos deixar rastro ou pista para ser seguida.

É um dom, um mistério, uma graça, ela chega e baixa como um espírito procurando um corpo para se apossar, e detalhe, não precisa ser invocada, ela chega sem pedir licença, deita, e se esparrama no seu pensamento. Seus pés ficam preguiçosamente virados para o ar, com a ponta dos dedos cutucando o cérebro, a fim de transmitir-nos suas ondas neuroinspiradoras (viajei na maionese!).

Inspiração não se compra em supermercado, se vendesse eu compraria uma tonelada hoje. Como pode uma coisa dessas?! Parece que sumiram todos os motivos, os temas, as expressões, as frases, as palavras, minha alma se calou e isso já ta me dando dor de cabeça. Será que eu morri e não tô sabendo? (continuo viajando) Empenhei logo meus dedinhos num contorcionismo descomunal (beliscão), provocando certo desconforto em meu braçinho franzino, confirmando (graças a Deus) que a vida ainda permanecia em mim.

Eu sempre fui meio cética quanto ao significado da palavra inspiração, para mim era o simples ato de sugar o ar para dentro dos pulmões e nada mais, mas estou percebendo que realmente existe essa segunda opção de definição e, sinceramente, queria só um pouquinho dela hoje para transcrever minhas emoções.

Realmente, a coisa que faz o meu cérebro criar expressões belas e extravagantes não quer coisar nada hoje, acho que nem se a vaca tossir e o boi disser “saúde”, minha mente vai produzir alguma coisa realmente interessante de se ler. E é com toda essa certeza de que minha mente está às moscas que entrego meus pontos, vou descansar meus olhinhos e esperar o milagroso “plim” da minha amiga inspiração, daí quem sabe ... tô pagando pra ver...

'Glenda Barros

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CARA DE PAISAGEM...




Acho que a inveja é um demônio, que vê sua própria imagem refletida e fica tão horrorizado com o que vê que fica arranhando e se estranhando diante do seu próprio reflexo, como um gato diante de sua imagem no espelho. Falar palavras negativas e pessimistas no intuído de sufocar os sonhos alheios é uma característica dessa entidade das trevas, que esperneia, raivosamente, sua inferioridade e podridão como sentimento quando visualizam o bem do outro.

Pessoas invejosas são dignas de pena. Pra esse tipo de gente, a felicidade alheia é algo insuportável de se ver, quem nunca foi vítima de gente assim, atire a primeira pedra! Em todo lugar se vê pessoas assombradas por esse tipo de sentimento, e o que é pior, essa praga tem adquirido proporções pandêmicas.
Outro dia, saindo no portão de minha casa, minha mãe comentou com uma vizinha a expectativa de meu pai em abrir seu próprio negócio; a tal vizinha, na tentativa de estragar nossa alegria (tentativa frustrada), entortou a boca pro lado e numa expressão facial mais do que infeliz, proferiu as seguintes palavras: - eu conheço uma pessoa que tentou algo assim, e foi parar no fundo do poço! – aquelas palavras foram como tiros de metralhadora nos sonhos de minha mãe. Ela se despediu amigavelmente, e saiu cabeça baixa, em direção a minha casa. Minha vontade era de partir pra cima da fulana e enfiar aquelas palavras dela goela abaixo, alguma força divinal me segurou aquele dia, a fúria era grandiosa, o sangue me subiu todo pra cabeça.

Chegando em casa, minha mãe começou a relembrar o fato e a questionar se daria ou não daria certo o novo negócio, eu, extremamente revoltada com aquela situação, virei pra ela e disse – mãe, é por isso que Deus nos deu um par de ouvidos, entra num e sai no outro – e expliquei a ela, com toda a paciência que eu estava, que pessoas como a tal fulana, deveriam ter seus comentários ignorados e não levados em consideração. Minha mãezinha (coitada) se acalmou e voltou a fazer seus planos e projetos.
Mesmo sendo um demônio influenciador e persuasivo, a inveja não deve ser tratada como tal, muito pelo contrário, o que a mata é perceber que não nos atinge, mesmo que você tenha vontade de apertar o pescoço do fulano (a) ou até mesmo arrancar a sua língua com as próprias mãos, espere, se acalme, respire fundo e seja inteligente; utilize-se de habilidades teatrais como cinismo e um sorriso largo e falso, finja que se importa com sua opinião, faça aquela cara (lerda) de paisagem...

Mas cá pra nós, sejamos honestos, quem nunca sentiu inveja de alguém levanta a mão e dá um grito?! Minha mão se manteve no lugar e minha língua nem pensou em vibrar num berro. Todo mundo sente inveja de alguém pelo menos uma vez na vida, só que alguns controlam e outros não resistem e deixam transparecer, é só essa a diferença. Eu confesso, tenho inveja daquele bocão da Angelina Jolie, inveja da bunda da Jeniffer Lopez e das pernas da Ivete Sangalo e nem por isso elas andam por ai deprimidas e inseguras, ou sem suas características invejadas por mim, o que eu quero dizer é que a inveja não tem poder nenhum sobre nós, o que faz com que seu veneno tenha efeito é a nossa própria mente, que decide ou não acreditar no que ela diz.


'Glenda Barros

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Andróidezinho da mamãe!


Quando eu era criança, minha mãe me dava banho e cuidadosamente escolhia a roupa que eu ia vestir. Eu poderia estar me achando ridícula e brega com a roupa, mas a usava do mesmo jeito, questão de respeito e obediência. Nunca, mas nunca mesmo, ousava levantar a voz para a minha mãe ou para o meu pai, senão a surra comia feio. Antigamente não tinha esse negócio de dar birra pra conseguir as coisas não, se começássemos com uma ceninha do tipo, nossas queridas mãezinhas vinham em nossa direção, segurando numa das mãos, ou um chinelo (pouco provável, dói menos), ou uma cinta (mais provável, dói pra caramba) ou uma vara de amora (quase sempre usada, tem o poder de estraçalhar nossa carne jovem), e a outra mão ficava livre para segurar nossos braçinhos franzinos, evitando uma possível tentativa de fuga. E se persistíssemos no pranto, ela se virava e, apontando o objeto de tortura em nossa direção dizia – engole o choro moleque, ou vai apanhar mais – daí respirávamos fundo e ignorávamos a dor pra não ter que sentir ainda mais.


Hoje a história é um pouquinho diferente, os filhos são mimados, respondões e birrentos. A roupa é do gosto deles, aí daquele que tenta vestir algo neles que não é de seu próprio gosto. Eles aprenderam a dizer não; se não querem, não fazem, nem debaixo de reza brava. Discipliná-los está cada vez mais difícil. Conversar é impossível, não tem mais diálogo, o máximo de conversa que se tem hoje em dia entre pais e filhos se dá, quando o “guri” se vira e diz – eu odeio você mãe! –, ou - eu odeio você pai! – ou então - vocês são ridículos, ODEIO vocês! Dar umas palmadinhas então, agora é caso de polícia, eles podem levantar a mão e a voz para te agredir, e você tem que fazer cara de paisagem e ainda dizer – calma filhinho, a mamãe vai comprar pra você!


Outro dia eu voltava do trabalho de ônibus, e observava uma menininha de mais ou menos uns sete anos de idade, que estava sentada juntamente com sua mãe bem na minha frente. Apesar da pouca idade a peste já se achava dona do próprio nariz, apontava o dedo na cara da mãe e dizia, “eu quero isso e você vai comprar pra mim”. Eu fiquei escandalizada com a cena, pensava comigo mesma “isso não pode ser uma criança, isso é um andróide” (foi a expressão que encontrei, que mais se encaixava com atitude fria e prepotente daquela criança).


Eles estão ficando cada vez mais difíceis e autoritários, e isso tudo acontece porque seus o caminhos estão livres de proibições. Desculpem-me a honestidade, mas, infelizmente, nossos papais e mamães de hoje inverteram os papéis. Para suprir a ausência na vida diária de seus pimpolhinhos, os pais se empenham em não desagradá-los, enchem seus filhinhos de atividades o dia inteiro, de pilhas e mais pilhas de brinquedos, enfiam logo uma chupeta na boca do guri quando ele começa a berrar, e se o cut-cut da mamãe se aproxima e fica grudento, manhoso e carente, tratam logo de empurrar, guela abaixo, um litro de leite quente com alguma mistura, como se o único motivo do choro incontrolável, da carência excessiva e do grude fosse fome.


Se as crianças estão virando andróides é porque estão sendo tratadas como seres sem sentimento algum, tendo sua percepção subestimada pela maturidade de seus próprios pais que dizem estar fazendo o melhor por eles, nas mamadeiras, óleo ao invés de leite, e no lugar do amor, carinho e atenção, milhares de atividades pré-programadas. A culpa não é do governo que proibiu as palmadinhas educativas, mas sim da geração “piloto automático” que transferiu a criação de seus filhotinhos para alguéns e/ou lugares “especializados” para tal tarefa. Nada substitui a presença e o cuidado de um pai e de uma mãe, e nossas crianças sabem muito bem disso.


' Glenda Barros

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Devagarinho...

Por que temos tanta pressa? A grande maioria das pessoas que conheço e convivo diariamente sofrem da síndrome do “aqui, agora e já”, não saboreiam nem o próprio almoço pra não perder seu precioso tempo, afinal, “tempo é dinheiro”.

Sem perceber, essas pessoas vão passando pela vida na velocidade da luz, atropelando gente pelo caminho, deixando alguns feridos, outros mortos, mas a probabilidade de parar para socorrer ou voltar atrás é praticamente zero, anseia-se mais que a própria vida chegar ao podium no lugar mais alto, ou seja, à realização satisfatória e completa.

Mudou-se o século, mudaram as prioridades. Agora os meus desejos, anseios, carreira vêm antes de minha família, saúde, felicidade (...). Não concordo com o ideal ambicioso e sem escrúpulos de alguns, mas também não apoio àqueles ociosos que vão vendo a vida passar de braços cruzados esperando o maná cair do céu.

É devagar, devagarinho, desse jeitinho que tem que ser, nem rápido demais, nem parado no tempo, é devagarinho, no sapatinho, no miudinho, entendeu?

Deixa a vida te levar no ritmo do samba-canção, assim meio moroso, sutilmente brando e extremamente sentimental, a vida levada nessa batida é muito mais pensada, sentida, apreciada. As chances de se estatelar no chão e ficar com seqüelas graves, são praticamente nulas quando se está devagarinho....

Vai de mansinho, sentindo o gostinho doce de ser feliz, sentindo o ventinho fresco de esperança tocar a face, vai ajeitando uma coisa ali, outra acolá, vai seguindo e planejando, montando as peças, regando os sonhos, o tempo, (Rum!) não é dinheiro, é apenas o prazo da vida. E a vida, meu bem, não tem pressa, não se avexa, não se afoba pra acabar, ela segue no passinho lento, pra te dar tempo de sorrir, e de chorar, de perder e conquistar, de crescer e aparecer, de compor e de sambar...

‘Glenda Barros

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O RETRATO DO AMOR



Sentei-me no banco da praça. No pulso o relógio marcava 17h45min, já se podia sentir aquela brisinha mansa e fresca que avisa que a noite se aproxima. Além do horizonte o sol vai se escondendo preguiçosamente, parece que ele faz isso de propósito, só para ficarmos ali, contemplando e degustando cada segundo de sua encenação.
Estagnada com o espetáculo divinal, ouço ao longe uma risadinha, que consegue, milagrosamente, me tirar daquele transe hipnótico. Empenhei minha atenção na busca do dono daquela risada. Meu olhar investigador, que seguia o som dos acordes daquele sorriso, finalmente sintonizou-se na freqüência do mesmo, a cena que aquela trilha sonora embalava encheu meus olhos de graça, quanto amor, quanta ternura havia na expressão daqueles dois malucos apaixonados.
O amor “embobece” mesmo as pessoas; até o jeito de falar se infantiliza. As palavras são pronunciadas de uma maneira tão melosa que, vocábulos mono ou dissílabos, se transformam em longos polissílabos (amÔoooooooor, sabia que eu te amooooooooooooooo), é mel pra mais de metro.
Continuei a mirar o casal que, trancafiados em seu mundinho cor de amor, não percebiam mais ninguém além da imagem um do outro. Ele acariciava o rosto dela lentamente, com se estivesse contemplando a coisa mais linda desse mundo, o toque suave e preciso daquele mancebo apaixonado, iam esculpindo nos lábios de sua amada um largo e doce sorriso.
Seus dedos/pincéis seguiam perdidos por entre os fios negros do cabelo dela, arrancando suspiros de amor de sua alma, que eram perceptíveis no olhar satisfeito, na face envolvente e no arrepio do seu corpo totalmente entregue ao sabor do amor.
O amor é mesmo lindo de se ver! Fiquei encantada com aquela imagem impressa no crepúsculo do dia; registrei aquele momento na memória pra não mais esquecer, meu coração desencorajado, renovou-se em esperança, o amor ainda existe, hoje pude fotografá-lo de longe, sentada bem ali, naquele banco de praça...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Mulheres maçã




O espaço e a credibilidade das mulheres têm aumentado numa escala magnânima no mundo. Vê-se, notoriamente, que estamos ficando cada vez mais independentes, despojadas, batalhadoras, conquistadoras e ... SOLITÁRIAS, isso mesmo, sozinhas e desprezadas pelo sexo oposto.
As mulheres mais inteligentes e interessantes que conheço sofrem de “solteirice crônica”, parece que arranjar alguém que as queira como namorada é algo tão difícil, que só Deus teria chances reais de êxito, ou seja, só mesmo um milagre as tiraria desse poço de solidão.
O chato da solteirice não é nem o fato de nossa vida sentimental estar continuamente sendo conjugada no singular (falei bonito), mas sim a insistência das pessoas em não te deixar esquecer tal condição. Nossas mães, tias, primas, avós (essas são terríveis), manicures, cabeleireiros (as) e todas as pessoas que convivem conosco, simplesmente tomam nossas dores e vão, literalmente, a caça por nós.
A prova disso se dá quando, vez ou outra, somos apresentadas, “casualmente”, a um infeliz qualquer com cara de nerd (nada contra os nerds), olheiras profundas e marcantes e uma timidez tão opressora que o paralisa bem diante de nós, e o pronunciar de um simples "oi" parece exigir-lhe capacidade mental bem maior do que a que o próprio possui.
E não me digam que estou exagerando, é só olhar em volta e reparar bem direitinho. Elas são lindas, sensuais, bem sucedidas financeiramente, mas são grandes colecionadoras de relacionamentos relâmpagos e fracassados. Bastam apenas cinco minutinhos de conversa, para que elas se abram e, em pranto, confessem que largariam tudo para se casar, ter filhos e morar na roça (hipérbole!)...
Legiões de mulheres carentes estão sendo formadas pela escola da vida, e não satisfeitas com a graduação, estão se pós-graduando no mercado de trabalho.
Nosso saudoso Machado de Assis equiparou essas mulheres a maças em árvores, cujas melhores estão no topo, ele só não esperava que a coragem dos homens diminuiria tanto e que as tais macieiras cresceriam monstruosamente. Ehhh minhas amigas, parece que estamos no alto de um jequitibá, inalcançáveis, inatingíveis...
Homens, cresçam e apareçam! Não tenham medo de ralar os joelhos, de desfazer os topetes ou de amarrotar suas roupas; lembrem-se que as melhores estão no topo, e nós aqui em cima garantimos, o gosto do nosso amor é bem mais suave e doce.

‘Glenda Barros

terça-feira, 27 de julho de 2010

O SENTIDO DA VIDA

A saudade, ao contrário do que todo mundo diz, não é um sentimento muito bom, afirmo com todo certeza, pois, se fosse bom, não iríamos querer findá-lo em nossos corações com uma visão ou um abraço apertado daqueles de quem sentimos saudade. Podem até achar que meu ponto de vista é um tanto extremista, mas não podemos negar fato de que lembranças jamais substituirão um toque de afeto, e nem tão pouco poderão suprir a ausência de alguém que tanto amamos.


Saudade, e só saudade é o que sinto nesse momento...

Queria muito que o dia de hoje fosse um sonho, queria poder me beliscar agora e acordar desse pesadelo, pois minha querida e doce vovozinha faleceu, e eu nem pude lhe dar um último adeus (o porquê é uma história longa que prefiro não falar). Aquele sentimento que eu sempre dizia ser bom e gostoso, pra mim hoje é o pior que já senti. Queria tanto tê-la de volta, mas diante da morte consumada o sentimento que predomina no peito é de impotência, de incapacidade.
Todos nós sabemos que a vida continua e que as coisas seguirão seu fluxo normal, sabemos também que a morte existe e que um dia todos nós a enfrentaremos, mas o curioso é que, temos plena consciência disso tudo e mesmo assim não deixamos de sentir uma imensa dor desconfortável no peito; que é como se uma mão enorme segurasse nosso coração e o apertasse numa pressão tão forte que chega a faltar o ar. O fato agora é que, o que antes era uma falta que poderia ser suprida quando quiséssemos, agora é uma ausência permanente que nos proporciona como conseqüência, uma saudade crônica e incurável.
Passar por esse momento me fez refletir sobre uma questão. Acho que é uma indagação feita pelo menos uma vez na vida por qualquer pessoa. Quem nunca parou pra pensar em qual o sentido da vida? As pessoas filosofam sobre isso, vão em cima e embaixo para tentar explicar algo tão simples. Eu prefiro pensar no sentido mais puro da palavra, SENTIDO = DIREÇÃO. No meu humilde ponto de vista, o sentido da vida é pra frente, e penso mais; aqueles que entendem isso são bem aventurados.

A dor de perder alguém é algo tão grande que palavras não conseguem descrever, saber que nunca mais em sua vida você poderá ter o abraço daquele ente querido, ou poderá visualizar o sorriso dela, ou simplesmente ouvi-la. É uma dor que, honestamente, paralisa nossos sentidos, a vontade que se tem é a de ter o poder de parar o tempo, para não sentir mais o gosto amargo de perder alguém.
O ser humano é um milagre mesmo. Somente Deus pode ter sido o criador de tal criatura, pois mesmo diante de uma dor assim tão terrível, ainda consegue permanecer de pé e seguir em frente. Hoje eu posso dizer que entendi o sentido da vida, e pretendo segui-lo até que ele seja interrompido naturalmente pelas circunstâncias adversas. Não podemos parar o tempo, e nem se pudéssemos teríamos o direito de faze-lo, pois além de nos privar de muitos outros momentos, estaríamos extraindo de várias outras pessoas esse mesmo direito de viver e sentir emoções. O mais sensato a se fazer, é seguir em frente e procurar nas lembranças o consolo da dor e a força para continuar a caminhar.

“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar” (Rubem Alves).

In Memoriam Natalia Barros de Sousa

‘Glenda Barros

terça-feira, 20 de julho de 2010

Festa de Família



Festa de família é sempre um espetáculo, além de reunir a parentaiada toda, se vê e ouvi muita coisa interessante. Eu sempre aproveito esses momentos pra me inspirar e escrever alguma coisa, a maioria de meus textos surge de conversas nesse tipo de festa.

O engraçado é que eu nunca tinha parado pra escrever sobre a festa em si, mas sim, sobre fatos e acontecimentos isolados, ocorridos nela. Então resolvi corrigir essa falha, e relatar aqui, para meus amigos leitores, como é uma festa de família.

Bom, toda festa de família tem aquele sujeito que faz todo mundo rir, conta piada de tudo, fala o que deve e o que não deve, é o palhaço da família, se ele não estiver presente, a festa perde a graça. Nessas mesmas festas também tem aqueles sujeitos que são, ou se tornaram “gente grande” na vida, que contam vantagem de tudo, que se acham “superiores” a qualquer um e que todo mundo fica de longe olhando e sussurrando – mas o fulano ficou chato hein! – ; existem também aqueles “menos favorecidos” financeiramente, que se auto-julgam “inferiores” e permanecem distantes e excluídos das conversas, se dizendo leigos e ignorantes demais para qualquer tipo assunto.

Não sei na casa de vocês, mas nas festas lá em casa sempre tem aquela tia (mal amada) que toda vez que te vê pergunta – e ai, tá namorando? – (isso, meus amigos, é uma afronta a minha solteirice de alguns meses), mas você, não sendo ignorante ou mal educado responde numa boa, - não tia, estou solteira por opção! -; só que, não satisfeita, a infeliz continua te alfinetando com perguntinhas do tipo – ué, parece que você engordou? Que você fez no cabelo? Tá tão ressecado. – enfim, você chega se sentindo linda e maravilhosa e sai se achando gorda e louca pra ir a um salão de beleza fazer banho de brilho.

Além dessas tias questionadoras, também existem os puxadores, isso ai, puxadores; eles puxam a fila para o jantar, quando todo mundo fica com vergonha de ser o primeiro; puxam a conversa; puxam o saco dos avós, tios, primos, penetras, empregados; puxam o tapete, quando aquele moleque danado está passando só pra ver a queda dele; puxam o “PARABÉNS PRA VOCÊ”; puxam também o “COM QUEM SERÁ QUE O FULANO VAI CASAR?”...Enfim, ah, já ia esquecendo; em toda festa de família tem criança, e muita criança, umas muito bem educadas e meigas, outras tão irritantes e birrentas, que me fazem lembrar uma frase que minha mãe sempre diz “filhos são como puns, a gente só suporta os nossos”...(que comparação!)

Deixar de ir a uma festa de família, pode não ficar bem, afinal, a família vem em primeiro lugar; um conselho; largue tudo e vá, pois, como minha linda mãezinha diz, “quem não ta na roda, roda”, além do mais, vamos combinar, como é divertida a tal da festa de família; sempre presenciamos cenas de drama, comédia e até romance, mas no fim tudo é festa, tudo é alegria, tudo é FAMÍLIA.



'Glenda Barros'


segunda-feira, 19 de julho de 2010

E mais um conto: "Amor de Verão"

Férias! De malas prontas e contas pagas, coloquei meu pezinho na estrada. O destino final era Tocantins, casa de parentes. Fomos eu, meus pais, minha irmã e minha doce e meiga prima. Saímos as 4:00h da madrugada, animados, ansiosos; riamos até da cara amarrotada de sono que estávamos...só alegria e sorrisos.
No estradão desse meu Goiás, só cerrado e belas paisagens, e como não poderia faltar, aquela paradinha na beira da estrada pra olhar o sol nascendo redondo e alaranjado, saboreando uma bela farofa de carne seca e um cafezinho, quentinho, passado com coador de pano tradicional, armazenado numa dessas garrafas térmicas comuns. Até algo assim tão simples, parece que tem um sabor mais gostoso quando estamos de férias.
Depois de longas horas na estrada, chegamos. Fomos recepcionados calorosamente por minha tia, tio e primos, abraços apertados e declarações de saudade e amor. Chegamos por volta de 16h:30min, e como estávamos de férias, nada de descanso; no mesmo dia fomos a um jantar na casa de um de nossos primos. “Maria Isabel” (arroz com carne seca) com ovo e muita conversa fiada. Estávamos nos divertindo pra valer, quando chega uma figura simpática, meio tímida, e que me chamou a atenção. Minha prima, sempre muito educada, me apresentou o tal moço, que me cumprimentou com um aperto de mão e um beijo leve na maça do rosto (Ai que homem cheiroso, pensei). Devidamente apresentados, conversamos por alguns poucos minutos, pois eu e minha família já estávamos de saída. Me despedi e fui embora. No dia seguinte fomos passar o dia em uma chácara de minha tia, belo lugar, rodeado de pés de caju e bem pertinho do lago. Santo lugar, santo remédio para o estresse da cidade grande. Os homens foram pescar e as donzelas ficaram para preparar o rango. A macharada chegou e as panelas já estavam na mesa, comemos, e comemos muito, parecia que nunca havíamos comido na vida. Depois da comilança, como é de praxe, bate aquele sono lascado, daqueles que você tenta, mas não agüenta ficar de olho aberto. Caí numa rede enorme, num sono mais que profundo, apaguei e nem vi o dia passar. Algumas horas se passaram e eu acordei, com a vista ainda meio embaçada avistei o tal moço do outro dia, sentado numa dessas cadeiras de bar, a alguns metros da rede onde eu estava. Só pode ser sonho, pensei, mas não, era ele em carne, ossos e toda aquela beleza. Fiquei desesperada, ajeitando o cabelo e a cara. Levantei-me e o cumprimentei ligeiramente. Vamos tomar banho no lago! Berrou minha tia, toda pronta já. Nos vestimos e saímos em direção ao lago, sedentos por um mergulho, tava um calor de matar. A água estava uma delícia, temperatura ideal, e lá vem ele (ai Jesus!), sentou-se calmamente do meu lado e perguntou; − Tá tudo bem ai? E eu quase que não respondo, tão fascinada que eu estava por aquele belo par de olhos cor de jabuticaba; −Tá sim! E não passamos daquelas palavrinhas naquela tarde. 18h:00, hora de juntar as tralhas e voltar a cidade, a programação era cachorro quente e truco na casa de minha tia a noite. (Chegamos) Tomei meu banho, coloquei meu vestidinho estampado e fui jogar com a galera. Por volta de 21h:30min quem chega? É, ele mesmo, (esse cara tá me perseguindo, só pode) o tal moço veio atendendo ao convite de meu primo (sei!). Cumprimentou-me e sentou-se pra brincar também. Foi ficando tarde, e é claro, as pessoas vão saindo uma a uma. Restaram na sala eu, minha prima, minha irmã e ele, o fulano do outro dia. Continuamos a brincadeira, meus pais e tios se recolheram para dormir. Depois de longas horas de conversa e muitos bocejos ele decide, “tenho que ir”, (mas já? pensei comigo). Minha prima, muito esperta por sinal, se levanta, e apontando o dedo em minha direção diz: − Leva ele até a porta, por favor. E eu, balancei a cabeça positivamente. Peguei as chaves, e fui com ele até o portão. Naquele momento, minhas mãos estavam tão frias e trêmulas que entregavam a ele meu nervosismo e expectativa. Ele segurou minha mão e disse: − Gostei muito de te conhecer, você, sinceramente, mexeu comigo. Eu quase fui à loucura quando ouvi isso, meu coração parecia que ia explodir de tanta felicidade. Tenho que me recompor, pensei, diminui o sorriso e disse, também gostei muito de ti, muito mesmo. E eu, achando que não ia passar de palavras me despedi, “então tchau viu, até qualquer dia!” E ele, com toda aquela confiança de homem, disse: − Eu queria uma lembrança sua. E depois dessa frase, veio em minha direção e foi se aproximando devagarzinho, sem pressa, o cheiro dele ia ficando mais forte e eu, cada vez mais nervosa, chegou o mais próximo, segurou-me com uma das mãos pela cintura e a outra posicionou levemente no meu rosto e pronto, o beijo. Dois dias inteiros de tentativas e conversas e o beijo não durou mais que 10 segundos. Após aquele breve momento de paixão, ele se distanciou, sentou-se em sua moto e disse; − Nos vemos amanhã? E eu com um sorriso enorme no rosto, apenas balancei minha cabeça em sinal de “é claro que sim”. Ele foi, e eu fiquei ali, o seguindo com os olhos até que ele sumiu no fim da rua. As lembranças e o gostinho de quero mais ficaram no meu coração, e ainda hoje, me lembro daquele meu amor de verão.


Glenda Barros

quarta-feira, 14 de julho de 2010

T.E.L.E.V.I.S.Ã.O


Eu amo assistir televisão! Não sei se conseguiria viver sem!” Ouvi esse “absurdo” esses dias de um amigo no msn, e resolvi me submeter a 2 dias INTEIROS sem assistir a tal TV. Percebi que, realmente, ela exerce um poder absurdo nas nossas vidas. Nossa, como é gostoso chegar em casa, tomar um belo banho e correr para o sofá assistir televisão; parece que ver desgraça alheia nos alivia, nos leva a pensar, “é, tem gente pior que eu”. Ficamos ali na frente dela como cães sedentos por um belo pedaço de bife, a coisa é séria minha gente...É viciante!


No primeiro dia da experiência, o tédio me agarrou e me prendeu em seus braços, parecia que ia me consumir sem piedade alguma, (quanta hipérbole) fiquei procurando algo para me distrair e parecia que não existia mais nada legal pra fazer a não ser assistir televisão. Após algumas horas (10min) de agonia, respirei fundo e decidi, vou ler um livro. Certo, escolhi um dos meus poetas favoritos (Manuel Bandeira) e comecei a ler, aquilo foi me dando um sono desgraç[piiiiiiiiiii], minhas pálpebras pesavam que nem chumbo. (Chega!) Levantei-me da cama e fui em direção a minha sala, passei por ela impávida e forte, nem sequer a olhei pra não correr o risco, cheguei a cozinha, preparei um belo sanduíche e o devorei sem dó nem piedade.


De barriga cheia...e agora, o que vou fazer? Já sei! Vou tentar dormir um pouquinho, (pensei) deitei na cama e não sei o que aconteceu comigo, parecia que todas as formigas do mundo estavam ali, na minha cama, eu não parava quieta. Me Levantei. (Oh dia longo meu Deus!) Meus pais e irmã chegaram, pensei comigo, graças a Deus vou ter pelo menos com quem conversar. Me decepcionei quando todos colocaram sua comida no prato e foram pra onde? É isso ai, fui trocada pela bendita (maldita) televisão.


É fato meus amigos, eu testei e comprovei, a tal televisão é mesmo algo vital agora. Não precisamos nos preocupar quanto a nossa vida sentimental porque, "Vai dar namoro"; todos nós um dia seremos "Idolos", “Viver a vida” virou novela, "Hoje em Dia" tudo é flash mas, "Custe o que custar", “a gente vai se ver na globo”! E eu juro pra vocês, que outro dia, o gordo da TV me mandou um beijo! A verdade é que tudo isso é incrivelmente legal mas, “YES WE CAN” viver sem televisão sim. Eu sobrevivi, com algumas seqüelas (aquele jogo era imperdíveeeel), mas nada que me causasse traumas permanentes....


Enfim, o que eu aprendi nessa história toda é que perdemos muito tempo e muitas experiências diárias na frente da TV, não desfrutamos mais da presença de nossos familiares, amigos, pessoas...o mesmo eu digo a respeito da Internet. É legal? Sim. Mas não é a única forma de se manter informado e por dentro dos assuntos, não limite a sua mente, o seu cérebro, permita-se apreciar e viver a vida intensamente e constantemente, televisão é relaxante, cativante, envolvente, ai...(tô estérica) mas VEJA COM MODERAÇÃO, não deixe que ela domine vc, suas idéias, te influencie ou algo do tipo...Somos seres pensantes, ("Cogito, ergo sum!") temos o CONTROLE da vida em nossas mãos!






Glenda Barros

domingo, 11 de julho de 2010

T.P.M (NO STRESS!)

Domingão, solzão, calorzão e eu aqui, nessa SOLIDÃO! (Parece até frase de canção sertaneja)
É, mais um fim de semana passando e tudo parece que não
sai do lugar. As coisas não acontecem, não conheci ninguém pois, me mantive
trancafiada dentro de casa assistindo a filmes de comédia romântica (pra rir e chorar ao mesmo tempo), regados a minha pipoca,
refrigerante e, é claro, sorvete.
É, eu to sim, me sentindo um lixo! Gorda, enorme, horrorosa! Não queria decepcioná-los, mas toda mulher passa por isso um certo período do mês. Nada levanta o
nosso astral, tudo parece que fica sem brilho, não nos chama atenção, só queremo ficar ali, comendo, engordando e dizendo "ninguém me ama, ninguém me quer".

Os sintomas variam de mulher para mulher, umas ficam extremamente estéricas e estressadas, outras extremamente melancólicas e sentimentais (meu caso).
Mas não se preocupem (homens!) isso passa dentro de no máximo 4 dias! Então, estava eu remoendo o passado, desanimada até pra sair da cama quando resolvi
sentar-me na frente de meu computador, e relatar para a humanidade o que eu estava passando, e dizer à vcs, homens, que "ora, mas não se irritem" ,
não é nossa culpa, tem que levar em consideração que estamos sendo bombardiadas por uma pancada de hormonios...

Eu observava meu pai outro dia, (o cara é o cara!) e ele já aprendeu a lhe dar com a situação, é incrível a paciência que ele tem. Eu que sou filha
tava louca pra esganá-la, e ele não, todo paciente, se calava quando ela falava e sempre, sempre concordava com ela! (Meu Deus, eu quero um homem assim!)

Nesse período tudo o que vocês fazem parece suspeito. Se recebemos flores, é pq estão com medo de descobrirmos o "casinho" de vcs, se dizem que estamos lindas, é
pq estão nos achando gordas e horríveis e querem nos fazer sentir melhor, se não seguem o caminho ou o atalho que sugerimos, (ai ai ai) o negócio fica feio, aí estão nos
chamando de tapadas e isso e aquilo e, não vou nem falar do orkut pq esse merece um outro texto.

Infelizmente, meus amigos, contra isso não há solução, o jeito e parar, ficar observando e sim, divirtam-se, riam mesmo da situação, mas por dentro tá (pelo amor de Deus), nunca nos deixem perceber que estão achando ridículo nossas cenas, ou achando muito engraçado nossas nóias e loucuras, mantenham-se calados, não, melhor, falem o mínimo possível, de
preferencia as palavras, entendo, compreendo, essas ai fazem milagres....

Nesse período vocês mostram o herói corajoso que permanece escondido e inutil durante 21 dias do mês, afinal, como é que vocês conseguem nos tolerar! É, tenho que confessar aqui,
pra todo mundo ver, só sendo um herói para nos aguentar, vocês são mesmo demais (quase morri pra escrever isso)! Ao contrário de vocês nesse período, nos tornamos verdadeiras vilãs, mal criadas, birrentas, chatas, ignorantes, e...(não posso assumir tudo assim também, né?!) É sim, nos tornamos seres realmente intoleráveis, mas mesmo assim, vcs permanecem do nosso lado! Vcs são mesmo herois disfarçados de homens grossos, insensíveis e imaturos (me vinguei!), mas que no fim das contas, são nosso refrigério, porto seguro e blá blá blá...

Não pensem que ao escrever esse texto eu aliviei as tensões, não, nada disso, só desabafei e percebi o que TODA MULHER SABE, mas por motivos bestas e injustificáveis não assumem...


Agora é só voltar para frente de minha amiga "TV" (ela me entende!) e esperar esse momento passar, SOZINHA, afinal, ainda estou aguardando meu herói tolerante e silencioso me achar....

Fuuuuuuuuuiiiii





quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dê uma chance a vida!



Conversava sobre a vida com um amigo quando chegamos a essa pergunta, e se morrêssemos amanhã, o que faríamos? Como sou educada e bem criada, cedi a oportunidade a ele de responder primeiro.
Todo reflexivo, ele olhou para o teto, respirou fundo e começou um discurso enorme; eu acordaria bem cedo, beijaria minha mulher e faria amor loucamente com ela (homens só pensam nisso), sairia com os amigos, beberia todas (só pra variar), depois iria direto para o meu trabalho pedir demissão e mandar meu patrão ir à merda; feito isso, iria pra casa da minha mãe e conversaria horas a fio com ela, sobre tudo e todas as coisas, diria a ela e meu pai que os amo, e amo muito, sairia pra passear com meu filho (ele nunca faz isso), e quando voltasse com ele pra casa, o faria dormir e o olharia até que ele pegasse no sono (que fofo!), depois faria amor de novo com minha mulher (homens!) pois quero morrer amando.
E quando ele terminou eu perguntei: − E você não faria nada para tentar viver? Ele me arregalou aquele belo par de olhos verdes e disse: − Nossa, sinceramente, nem pensei nisso. Depois da resposta (ridícula) de meu amigo, comecei a indagar comigo mesma como é engraçado observar que sempre que fazemos essa pergunta para alguém, ela sempre vem com uma resposta igual ou com a mesma intenção do meu caro amigo ai em cima.
Nunca pensamos em lutar pela vida, mas pensamos em fazer tudo àquilo que tivemos toda uma vida para fazer em um dia só, pensamos em valorizar coisas tão simples e tão efêmeras no ultimo instante, só vemos a possibilidade de nos apaixonarmos, nos entregarmos e nos permitirmos amar quando já não há mais tempo....
Ser humano é mesmo estranho, sabe o que fazer para ser feliz e finge que não. Depois de pensar em tudo isso ai que eu escrevi, virei pra ele e disse: − Dê uma chance pra vida! Ele ficou com cara de que não entendeu absolutamente nada e disse: − Tá bom, Tchau!
O que eu pude observar nessa simples conversinha de fila de banco foi que, nós sabemos o que nos faz feliz e simplesmente não praticamos, temos tudo na ponta da língua quando somos questionados a respeito, faria isso, faria aquilo e muito mais, então porque não fazer tudo o que queremos e que nos faz bem enquanto ainda há tempo, enquanto ainda existe ar em nossos pulmões e sangue em nossas veias? (Só não xinguem seus patrões, pelo amor de Deus!)
A vida ta ai pra ser vivida minha gente! Não seja coadjuvante no filme de sua própria história. Participe de todas as cenas, contracene com todos os personagens, enfim, só viva e seja muito, mas muito feliz!!!!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Romance a La Modernidad




A festa tava animada, todo mundo batendo papo, rindo alto e a mulherada, claro, colocando a fofoca em dia. (Os mano chegaram!) gritou o aniversariante todo empolgado, afinal, seus melhores amigos vieram prestigiar-lhe naquele dia. Eles entraram, cumprimentaram a galera, e logo estavam no meio de toda aquela bagunça e barulheira que nós chamamos de festa.
Eu estava me sentindo um daqueles peixes fora d’água, sabe, não conhecia quase ninguém, um pessoal diferente pra mim, foi quando, senti algo perfurando minhas costelas, dividindo-as brutamente o que provocou em mim, logo de imediato, um desconforto horroroso. Era minha querida prima e sua mania infeliz de cutucar. Chamou-me para um canto e disse: − Acho que o fulano ta de olho em você! Minha reação foi “tranqüila e sossegada”, (mentira) retornei ao meu lugar de origem, sentei-me e continuei em minha saga por um pouco de espaço e atenção.
Lá vem ele. − Ai meu Deus, é agora! Pensei comigo mesma, ajeitando o cabelo e dando uma levantada na postura. Fiquei ali, esperando alguma “deixa” dele e, nada...
Ele seguiu conversando normalmente, como se eu nem ali estivesse. Mas a noite ainda estava no começo. E a festa foi rolando, os casais foram se formando e eu ali, no meio de todo aquele amor e, nada....
O casal do meu lado se levantou e saiu, ele, dando uma de desentendido, levantou-se e sentou-se ao meu lado, não muito perto pra não se dizer interessado (imaginei). Meu pescoço parecia que nunca mais ia se mover (paralisei), a respiração era cada vez mais escassa e sussurrante, afinal, queria escutar tudo que ele dizia.
Ei, psiu! Disse ele. Eu, como toda mulher, fingi que não ouvi só pra ter o gostinho de ouvir ele me chamar de novo. Dito e feito! Ele me chamou e eu toda prosa fui me sentar ao lado dele. (ainda assim, sem deixar transparecer que eu queria alguma coisa) Ele puxou logo assunto e a coisa começou a fluir e como era de se esperar, logo ele elogiou o meu perfume e disse aquela, aquela frase manjada, mas que toda mulher no fundo ama ouvir, − Nossa que olhar marcante, foi a primeira coisa que observei em você! A gente sabe que é pura mentira, os olhos nunca foram e nunca serão a preferência nacional, mas mesmo assim, meus olhinhos pretos brilharam e se encheram de esperança quanto ao fim daquela noite.
Meus ombros tensos me impediam de gesticular muito, foi quando decidi me levantar e ir até a churrasqueira comer um pedacinho de carne assada e dar aquela respirada bem fundo, afim de aliviar a tensão. Voltei, e me sentei. Ele meio acanhado e tremulo agarrou a minha mão e a apertou forte, − Suas mãos estão frias! É?! E não saiu mais nada depois daquele “é”. Os lábios dele nos meus, os meus no dele, e tudo parou. Que delícia de momento, que beijo mais que bom! (pensei só)E...não teve nada depois deste “E” também. Nos beijamos, nos abraçamos , matamos a carência que estava nos matando, e fomos embora pra casa, os dois, com a sensação (fria e calculada) de “dever cumprido” e nenhuma intenção de prolongar o momento.


Glenda Barros